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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Professora, a Paula Neves disse uma palavra feia!

Sábado foi dia de derby entre Sporting e Benfica. Vários foram os acontecimentos que marcaram este derby: 46.109 espetadores no estádio de Alvalade; resultado final de 1-1, tendo Montero marcado para os leões e Markovic para as águias. Foi um jogo memorável. À primeira vista, estes seriam os factos marcantes daquele tão aguardado confronto mas, à vista dos utilizadores das redes sociais, as coisas não são bem assim. O importante é que a atriz Paula Neves chamou o Maxi – jogador do Benfica – de filho da puta. Isso é que é importante reter, está bem? Tomem nota.

Em poucos minutos, a Paula Neves foi trending topic no Twitter, onde se podiam ler insultos, comentários de malta indignada, meia dúzia de lambe-botas, e mensagens de um senhor que andava à procura da gata. Portugal é um país de virgens ofendidas, isso não é novidade para ninguém. Mas, se ficam escandalizados com o facto de a Paula Neves ter chamado o Maxi de filho da puta, haviam de ouvir o que os meus vizinhos chamam ao árbitro, de cada vez que o Porto joga. Eles sim mereciam estar nos trending topics do Twitter.

Ao analisar os comentários sobre o assunto, senti-me de volta à primária. Há sempre aquela criancinha ranhosa que faz queixinhas à professora. Aconteceu comigo, há uns anos atrás, e acontece agora, com a Paula Neves.

– Ó professora, a Paula disse uma palavra feia!

Agora resta-nos mandar a Paulinha para o canto da sala, de castigo, virada para a parede. E, para termos a certeza de que esta situação não se repete, vamos mandar um recado ao Encarregado de Educação da Paula. Pode ser que a mandem de castigo para o quarto, sem jantar. Aposto que isso – sim – faria dos portugueses pessoas consideravelmente felizes. Menos mal que ninguém me ouviu a chamar de filho da puta ao senhor de idade que me apatanhou o pé esquerdo e nem se dignou a pedir-me desculpas, senão, por esta altura, estaria eu a ser apedrejada em praça pública.

Sugiro que sejam erguidos templos às pessoas que afirmam que Paula Neves desceu na consideração que tinham por ela. Qualquer pessoa que nunca tenha chamado alguém de filho da puta, merece que lhe seja erguido um altar! Sugiro até uma possível elevação a santidade. O engraçado é vê-los a criticarem a senhora por ter usado uma palavra feia e – no entanto – dizerem que ela é uma “merda de criatura” por o ter feito. Está certo; e assim se ensina a todo um povo que é feio dizer palavrões. Chamemos quem os diz de “merda de criaturas” e está o assunto resolvido.

Após apreendida a lição de hoje, vou em busca de mais lições de moral nas redes sociais. Com sorte, ainda fazem de mim boa pessoa.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Haverá morte depois da vida?

Respondendo à pergunta que é título desta crónica: eu não queria estar aqui a lançar boatos, mas estou bastante confiante que sim.

Tendo como base a minha experiência de vida (sempre fui fã de filmes de terror), o que me diz a mim que a senhora idosa que vive aqui ao lado não é uma assassina em série contratada especificamente para me matar? Só espero não me assustar quando chegar ao meu quarto, ligar a luz e vir a minha vizinha idosa a apontar-me uma faca. É que a velha sofre de incontinência urinária, e depois é uma maçada para lavar os tapetes. Se a minha vizinha me estiver a ler, peço-lhe por favor que, se hipoteticamente me pretender assassinar, o faça na minha cozinha, porque o chão é em azulejo. Desde já agradeço a sua consideração.

Apelando uma vez mais à minha experiência de vida: as pessoas têm reações muito estranhas, quando confrontadas com a morte. As pessoas nos filmes de terror, por exemplo. Há sempre aquela rapariga que ouve um barulho na cozinha e grita: “Está aí alguém?” Sim, porque o assassino lhes vai claramente responder: “Sim, estou na cozinha. Queres tomar alguma coisa, ou posso já despachar o assunto e esfaquear-te múltiplas vezes no abdómen?”

Honestamente, acho que deviam escolher pessoas mais inteligentes para participarem em filmes de terror. Eu, por exemplo. Não tenho um QI extraordinário, mas não sou parva ao ponto de entrar em casas abandonadas, caves ou compartimentos suspeitos, quando oiço barulhos estranhos. É um grande disparate, meus senhores. Não façam isso.

Se em algum futuro longínquo eu me tornar milionária, que fique bem claro que haverá morte depois da vida para o indivíduo que se atrever a contar seja o que for à Judite de Sousa. Só queria deixar isso bem claro.

Toda a gente conhece – ou pelo menos já ouviu falar – daquela espécie que fala com Deus quando tem algum amigo ou familiar doente, ou às portas da morte. Acho isso muito bonito. Eu não acredito em Deus. Se ao menos ele me enviasse um sinal… como o de encher o meu quarto de chocolates Toblerone e pôr uma máquina de algodão-doce na minha casa de banho, por exemplo. Isso faria de mim uma pessoa particularmente crente. E, quem sabe, um dia encontrar-me-iam por aí a rezar com excecional fervor pelo meu falecido periquito. 

Verifico agora que se me acabaram os pacotes de lenços. Desespero. Vou correr até à tabacaria, esperando não escorregar em iogurte líquido, tropeçar no gato da senhora Ermelinda, ou ser confrontada com uma qualquer situação que vá provocar a minha morte precoce. Ao menos deixem-me assoar o nariz antes de falecer. Uma pessoa morta não é bonita de se ver, mas uma pessoa morta com ranho no nariz é uma imagem particularmente desagradável.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Proibiram-me de ler jornais

A verdade, senhoras e senhores, é que já me arrependi deste meu novo estilo de vida – ler jornais definitivamente não é para mim. Os meus próprios pais proibiram-me de o fazer, no dia em que quase inundava a casa, após ter lido uma notícia que dizia que a Sandra Oh ia abandonar o elenco de Anatomia de Grey. Não sei se vocês têm por hábito acompanhar a série mas, como fiel espetadora que sou, acho um autêntico ultraje termos de nos despedir da Cristina Yang, ao fim de 9 temporadas. 194 episódios, bolas! Vou para a banheira chorar ao som de violinos e música fúnebre e volto já.

Adiante: ouviram falar naquele peixe que ataca a “virilidade masculina”? Não sei se já viram a fotografia do dito cujo mas – que diabo! – o bicho tem uma dentição melhor que a minha. Quando a vocês, homens, não sei; mas eu não punha os pés (nem os testículos, pronto) na praia tão cedo.

Li uma notícia cujo título era: “Mosquito pode ficar com maioria da Soares da Costa”. Pelo que andei a investigar, a Soares da Costa é uma construtora. Com certeza têm muito dinheiro, não é? Então expliquem-me: como é que não conseguem lidar com um mosquito? Ou meia dúzia deles, vá. Eu conheço um exterminador que é muito bom e que faz preços razoáveis. Se precisarem de um contacto telefónico, é só dizer, está bem? Estou aqui para ajudar.

Uma outra notícia dizia que o Departamento da Policia de Detroit tinha divulgado o tamanho dos sutiãs das agentes do sexo feminino. Ora, menos mal que foi só das agentes do sexo feminino. Se também tivessem divulgado o tamanho dos sutiãs dos agentes do sexo masculino, a coisa era capaz de ser mais grave.

E alguém é capaz de me explicar para que raios me interessa saber que a Jennifer Aniston mudou de voo para evitar a Angelina Jolie? Pá, eu ontem mudei de passeio para evitar a minha professora de História do terceiro ciclo, e não vi essa notícia na capa do Semanário SOL. Achei ofensivo. A igualdade de direitos, onde é que anda?

Falando em professores de História: que conversa é essa de a Merkel ter dado uma aula de História sobre o muro de Berlim? A avaliar pela forma física da senhora, sempre achei que BOLAS de berlim fossem o seu tópico de eleição. E aposto que qualquer aluno estaria bem mais interessado em assistir a uma aula de Culinária, ao invés de aprender coisas sobre um muro. Digo eu. Senhora Merkel, para a próxima pondere a ideia; obrigada.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Daqui a três meses peço equivalência a Jornalismo

Diverti-me tanto a comentar as notícias da semana passada, que resolvi abusar da sorte e repetir a proeza uma vez mais. Se continuar a consumir jornais a este ritmo, penso que dentro de três meses poderei pedir equivalência a Jornalismo. Talvez menos, se a pena me for reduzida por bom comportamento. (A minha irmã é advogada, eu sei como é que estas coisas funcionam.) Bom, permitam-me só que ajeite a gravata. E – pronto – vamos a isto.

No Diário de Notícias li uma manchete que dizia que o Papa pagou "religiosamente" as quotas do clube San Lorenzo. Não li a notícia na íntegra (notícias sobre religião afligem-me) mas, pelo que vejo, a expressão "deus te pague" finalmente deu lucro. Tenho esperanças de que, lá para o final da semana que vem, poderei ler no Diário de Notícias algo como: "Papa paga ‘religiosamente’ dívidas em atraso a Joana Camacho". A avaliar pela quantidade de vezes que já ouvi a expressão "deus te pague", tenho em crer que o Vaticano vai à falência quando pagar tudo o que me deve.

Sendo também eu madeirense, não podia deixar de referir o facto de Alberto João Jardim ter rasgado as páginas de uma edição do Diário de Notícias da Madeira, na passada sexta-feira. Das duas, uma: ou o senhor Alberto João Jardim gosta tanto de jornais como eu; ou então revoltou-se com a possível ausência de papel higiénico na casa de banho do Madeira Tecnopolo e manifestou-se numa espécie de movimento se-te-usassem-para-limpar-o-rabo-ao-menos-servias-de-alguma-coisa. Para efeitos de entretenimento próprio, vou acreditar na segunda hipótese.

Passando da Madeira para o Mediterrâneo, uma notícia diz que Lili Caneças foi roubada em Barcelona. Lili diz-se muito chorosa por ter perdido a sua mala Louis Vuitton, as suas joias, os óculos da Gucci, da Prada e da Ray-Ban, os documentos, os cartões de crédito e o iPhone. Devo confessar que esta notícia me deixou deveras transtornada. Pobre Lili. Queria, aqui, deixar um pedido, a todas as pessoas que me leem. Vamos apoiar esta causa. Juntem as latinhas de atum de conserva, as embalagens de milho doce e os pacotes de esparguete da marca Continente. Não queremos que a nossa querida Lili passe fome. Sejam solidários! As minhas rezas de hoje à noite serão dirigidas à mala Louis Vuitton de Lili, que estará – provavelmente – nas mãos de um assaltante que não toma banho há mais de dois meses e não lava as mãos depois de ir à casa de banho.

Para finalizar, uma outra notícia dizia que trabalhar alcoolizado até pode melhorar a produtividade, segundo os juízes. Eu sempre desconfiei que sim. Agora vou ali beber desenfreadamente, para depois ir dançar a Macarena completamente nua, ao pé da máquina de fotocópias. Aproveito e, pelo caminho, ensino uma centopeia a dar a pata. E, já agora, atiro um agrafador à cabeça do senhor careca que me está a perguntar onde fica a casa de banho. Sem dúvida, um aumento abrupto na produtividade de qualquer estabelecimento. E é tudo. Para a semana há mais.