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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mais uma criança a falar do que não sabe

Esta semana inaugurei na minha vida uma nova etapa – dei início à arte de ler jornais e ver notícias. Não me interpretem mal: a minha relação com os livros de banda desenhada e com os desenhos animados do Disney Channel era (é) perfeita mas, ao que parece, não socialmente aceite. “Pá, já não tens idade”, dizem eles. Fui – caros leitores – vítima de peer pressure (os estrangeirismos dão-me um ar intelectual, eu sei).

E agora é isto: estou há duas horas a tentar descodificar o que caraças são as SWAPS. Vou supor que é uma espécie de SWAG (termo frequentemente usado pela criançada), mas adaptado aos políticos. Só porque as siglas se assemelham. A definição mais correta, a meu ver – no dicionário português –, seria: SWAPS (nome): políticos que usufruem de bonés e vestuário específico que lhes confere estilo e aceitamento social, dentro da espécie. E agora acrescentava um yó! no fim desta definição repleta de conhecimento científico, para demarcar a rebeldia do termo. É isto que são as SWAPS, não é?

Noutros assuntos, deparei-me com uma notícia sobre uma tal de Cristina Espírito Santo que alegadamente disse que as suas férias na Comporta são como "brincar aos pobrezinhos". Hoje à noite vou adormecer a pensar como brincaria aos pobrezinhos se me saísse o Euromilhões. Entretanto, à semelhança desta senhora, sugiro que brinquemos… aos riquinhos. Que isto de brincar aos pobrezinhos todos os dias já cansa, e há que variar.

Li também um artigo que dizia que a urina pode servir para carregar a bateria dos telemóveis. Não podia ter adquirido este conhecimento em melhor altura – a bateria do meu telemóvel está a dar as últimas. Ora, então: vou ali urinar para cima do meu equipamento eletrónico e já volto.

Ainda relacionado com a urina, num outro artigo, lia que os cientistas chineses estão a criar dentes feitos de urina humana. Ora: com telemóveis carregados com urina, e próteses dentárias feitas com os componentes da mesma, porque não mudarmo-nos todos para a Urinólândia? Poderemos erguer estátuas ao Deus da Urina e criar templos para louvar o mesmo. Visitantes de todo o mundo viriam contemplar as nossas famosas lagoas de urina, conhecidas pelos seus poderes curativos. Exportaríamos garrafões de urina para os países, universos e galáxias mais longínquas. E PODERÍAMOS DOMINAR O MUNDO…! Ou se calhar não. Provavelmente não. O mais certo é que não. Pronto, NÃO!

Estou a começar a desenvolver a teoria de que os jornalistas andam a beber demasiada água. Bem sei que está calor, mas por favor acalmem-se. Deem um descanso aos vossos rins – afinal de contas, eles merecem. Duas notícias distintas sobre urina, no mesmo dia, é abuso.

Por hoje é tudo. Aguardo ansiosamente as mensagens ameaçadoras com desejos de que regresse às bandas desenhadas e ao Disney Channel, e deixe os jornais e as notícias para quem realmente percebe da coisa. Pelas minhas estimativas: não deverá tardar.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Um bebé real e o Lobo Mau

Gostava de ter uma conversa séria convosco, mas tenho duas questões a colocar, antes de mais. Primeiro: quando estamos a falar com alguém, o protocolo diz que devemos olhar para os olhos ou para a boca da pessoa? É uma dúvida que sempre tive. E, segundo: que história é essa de conversa séria? É comestível?

Sim, sei que não me viram na semana passada, mas andei atarefada a limpar o pó da casa, queiram-me desculpar. Como assim, ninguém reparou? Não, não – não levo a mal, ora essa. Mas, já agora, alguém é capaz de me explicar que atração estranha é esta, entre o pó e os cantos? Claramente há ali um clima estranho. É notório o afeto que o pó sente pelos cantos, mas… eu agradecia que os relacionamentos do pó não interferissem na sua vida profissional. Para além do mais, aleija-me a coluna.

Esta semana só oiço falar em “blá blá blá o bebé dos não-sei-quê-reais nasceu” e “blá blá blá ele é tão lindo”. Agradecia que parassem. Ele não é lindo. Faz chichi na cama. Usa fraldas. Chora e faz barulho durante a noite – grita! Baba-se. E chamam a isto de lindo? Queria ver se fosse eu a fazer estas coisas. Iam chamar-me de linda? Igualdade de direitos, senhoras e senhores! A mim, aposto que me iam chamar de babada, ranhosa, anormal e “mijada”. Mas – ui! – estamos aqui a falar de um bebé real e ele é lindo, claro. Ora: tenham dó!

E falando em (alusão a: dó ré mi fá sol), que vos parece se eu lançar um CD de inéditos, no mês que vem? Se canto bem? Não. Canto terrivelmente mal. Mal ao ponto de quebrar vidros e deixar pobres animaizinhos sem vida. Mas, pela minha análise de mercado, cantar bem – hoje em dia – não é um dos pré-requisitos para se fazer músicas de sucesso! Pensei em criar uma canção acerca dos benefícios do papel higiénico de folha dupla. Aposto que seria um sucesso digno de discos de platina e essas mariquices todas. Se toda aquela malta que saiu do Secret Story canta, então eu também canto! Esta semana ouvi o mais recente êxito do Rúben e da Tatiana, e só vos tenho a dizer que acabei a sangrar dos ouvidos.

Às vezes pergunto-me: que mal fiz eu ao mundo para ser exposta a este género de musicalidade suicida? E que raio de letra foram eles arranjar para aquela canção? Tu és um lobo mau-au-au-au-au-au… – das duas, uma: ou a pessoa que escreveu isto é gaga (e não me refiro à Lady Gaga), ou então sofre de um grave distúrbio mental. Isto não é música de gente normal. (Olha, rimou! Vou parar o texto por aqui, para ficarem com a ideia de que sou uma pessoa inteligente.)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Portas deixou um panfleto no presépio

Podem parar com esses trocadilhos que envolvem portas? Sim, já todos percebemos que se divertiram imenso a estabelecer uma analogia entre o sobrenome do político Paulo e o objeto: porta. (Um artefacto que nos possibilita o acesso às mais diversas divisões.) Agora podem parar com isso? Sim? Vá, lindos meninos. A próxima pessoa que disser que “o Portas bateu com a porta”, passará a ser olhada como o judeu na minha cadeia alimentar. Isto assumindo que sou nazi e possuo um bigode ridiculamente estúpido. Estúpido mas – calma! – que mete respeitinho, sim?

E, já que estamos em ambiente político, podem parar com essa coisa do presépio? Ai, que lindo, o Gaspar saiu. (Ui, o Rei Mago Gaspar.) A Maria entrou. (Ai, a Virgem Santíssima de nome Maria.) Muito bonito. Sim, sim, sim. Mas parem com isso. A sério. É parvo. A vossa catequista estará, com certeza, muito orgulhosa por saber que ainda se lembram das aulinhas da catequese. Os vossos pecados foram perdoados. Estão livres de ir à missa durante as próximas quatro semanas. Blá blá blá. Estou muito feliz por vocês. Mas agora parem. A sério – acabou. Dou uma paulada nas rótulas da próxima pessoa que fizer analogias entre os Ministros das Finanças e as figuras do presépio. E, acreditem em mim quando vos digo: uma paulada nas rótulas aleija. Tá?

Agora que já resolvemos as coisas, preciso de opiniões. Hoje de manhã apareceu-me um panfleto no carro que dizia: “Perca peso: saiba como!” E a questão que vos coloco é: não é um bocado indelicado estarem agora a chamar-me de gorda? É pá, isto mexe com a autoestima das pessoas. E depois surge a questão. Como é que eles sabem? Quem é que me anda a vigiar, para se achar no direito de tecer considerações sobre o meu estado físico? Aposto que são aqueles chatos do Centro de Saúde, que há anos que andam a tentar convencer-me a assinar um cartão qualquer, cuja assinatura traz um médico de cinquenta e poucos anos como brinde. Não me levem a mal, mas um Ovo Kinder sai bem mais barato e os brindes não vêm sem dentes e enrugados como aquele cão do anúncio do papel higiénico. (Sim, porque todos os médicos de família são razoavelmente desdentados e… as semelhanças ao cão do anúncio do papel higiénico são evidentes, convenhamos.)

Há dias apareceu-me no carro a publicidade da Revista Maria. E esta revista é, realmente, algo que me intriga. Porquê Maria? Porque não Joana? Revista Joana. Soa-me chique. Pensem lá nisso. E, jovens que colocam papéis aos molhes nos carros das pessoas: da próxima vez que me quiserem chamar de gorda, chamem com jeitinho. Também tenho sentimentos, pá. (Se o meu Centro de Saúde me estiver a ler, queria só deixar presente que continuo a não querer aderir ao vosso cartão. Vá, adeus.)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A minha irmã comeu a última bolacha Oreo

Após duas semanas da minha ausência, cá me apresento, confiante de que ainda são dotados do conhecimento de que o meu sobrenome se escreve com ch e não com x. Não: não faleci, não emigrei e também não entrei numa depressão após ter descoberto que a minha irmã comeu a última bolacha Oreo. Estabeleci – sim – uma relação conjugal de curta duração que, como diria a minha avó: louvado seja nosso senhor Jesus Cristo, chegou ao fim. 

A minha mãe sempre me disse: “Filha, tu tem cuidado com quem te metes. Há muito bandido por aí!” Mas nunca (nem uma única vez) fui avisada relativamente a livros de Matemática e manuais de Geologia com índices potencialmente violadores. Malandros! Não é o género de coisa que se deseje aos nossos descendentes.

Ponhamo-lo desta forma: digamos que fui brutalmente violada por um gang de funções trigonométricas e rochas metamórficas. Mas, calma, já denunciei a ocorrência às autoridades e está tudo bem. Um ano de visitas semanais ao psicólogo, e fica resolvido o assunto. Ou assim espero.

Suponho que tenham ouvido falar na greve dos professores, certo? Ora, que pergunta parva. Quem é que não ouviu? A questão é: podem chamar-lhe de muita coisa mas, para mim, isto não foi mais que uma birrinha para não irem à escola. Tal como há a criançada que diz que está doente só para não ir à escola, há os professores que criam greves. Quase aposto que, grande parte dos professores que fizeram greve, foram – em tempos – daquelas crianças que inventavam febres, varicelas, gripes e pés de atleta, para faltarem às aulas. Não me venham com histórias.

E depois ainda temos os estudantes indignados:

– Ai! Ui! Não fiz o exame de Português porque os professores fizeram greve. Sinto-me injustiçado. O deles foi mais fácil, não é justo. Vou dizer à mamã! E ao papá! E ao padre da Freguesia!

Jovens: ontem fui almoçar ao mesmo restaurante que o meu vizinho, e tenho quase a certeza que o frango que ele comeu estava mais bem cozinhado que o meu. Até as batatas tinham outro aspeto! E, pronto, se calhar até estava. Possivelmente, a malta que pediu frango na hora seguinte ainda teve direito a um frango melhor. Mas vamos armar uma escandaleira por causa do frango? Está claro que não, jovens. Está claro que não. Portanto: contentem-se com o vosso frango mais bem passado, e deixem em paz os que já comeram o frango deles, que os coitados estão na digestão.

Em tom de despedida, queria mandar um beijinho para a minha tia, que me lê na Venezuela e… Mas eu estou a tentar enganar quem? Não tenho nenhuma tia na Venezuela. (Nem nenhuma tia que me leia, esperemos.) Bom… e, já que não tenho nenhuma tia emigrante a quem mandar beijinhos, cumprimento elegantemente a pessoa que me lê. Ora então: tenha um bom dia, caro leitor!