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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A minha irmã comeu a última bolacha Oreo

Após duas semanas da minha ausência, cá me apresento, confiante de que ainda são dotados do conhecimento de que o meu sobrenome se escreve com ch e não com x. Não: não faleci, não emigrei e também não entrei numa depressão após ter descoberto que a minha irmã comeu a última bolacha Oreo. Estabeleci – sim – uma relação conjugal de curta duração que, como diria a minha avó: louvado seja nosso senhor Jesus Cristo, chegou ao fim. 

A minha mãe sempre me disse: “Filha, tu tem cuidado com quem te metes. Há muito bandido por aí!” Mas nunca (nem uma única vez) fui avisada relativamente a livros de Matemática e manuais de Geologia com índices potencialmente violadores. Malandros! Não é o género de coisa que se deseje aos nossos descendentes.

Ponhamo-lo desta forma: digamos que fui brutalmente violada por um gang de funções trigonométricas e rochas metamórficas. Mas, calma, já denunciei a ocorrência às autoridades e está tudo bem. Um ano de visitas semanais ao psicólogo, e fica resolvido o assunto. Ou assim espero.

Suponho que tenham ouvido falar na greve dos professores, certo? Ora, que pergunta parva. Quem é que não ouviu? A questão é: podem chamar-lhe de muita coisa mas, para mim, isto não foi mais que uma birrinha para não irem à escola. Tal como há a criançada que diz que está doente só para não ir à escola, há os professores que criam greves. Quase aposto que, grande parte dos professores que fizeram greve, foram – em tempos – daquelas crianças que inventavam febres, varicelas, gripes e pés de atleta, para faltarem às aulas. Não me venham com histórias.

E depois ainda temos os estudantes indignados:

– Ai! Ui! Não fiz o exame de Português porque os professores fizeram greve. Sinto-me injustiçado. O deles foi mais fácil, não é justo. Vou dizer à mamã! E ao papá! E ao padre da Freguesia!

Jovens: ontem fui almoçar ao mesmo restaurante que o meu vizinho, e tenho quase a certeza que o frango que ele comeu estava mais bem cozinhado que o meu. Até as batatas tinham outro aspeto! E, pronto, se calhar até estava. Possivelmente, a malta que pediu frango na hora seguinte ainda teve direito a um frango melhor. Mas vamos armar uma escandaleira por causa do frango? Está claro que não, jovens. Está claro que não. Portanto: contentem-se com o vosso frango mais bem passado, e deixem em paz os que já comeram o frango deles, que os coitados estão na digestão.

Em tom de despedida, queria mandar um beijinho para a minha tia, que me lê na Venezuela e… Mas eu estou a tentar enganar quem? Não tenho nenhuma tia na Venezuela. (Nem nenhuma tia que me leia, esperemos.) Bom… e, já que não tenho nenhuma tia emigrante a quem mandar beijinhos, cumprimento elegantemente a pessoa que me lê. Ora então: tenha um bom dia, caro leitor!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A terceira idade precoce e o part-time no McDonald’s

Cheguei àquele momento deprimente da minha vida em que me apercebo que a terceira idade se aproxima. Podem dizer o que quiserem, mas não me venham com a conversa de que o facto de eu sair sempre do banho com os dedos enrugados é mera coincidência. Se isto não é um argumento a favor da minha teoria do envelhecimento, então o que é? Mas isto até nem é o mais grave. Dedos enrugados? Nada que um lifting não resolva. Se bem que a ideia de realizar uma operação cirúrgica depois de cada banho não me soa economicamente rentável, mas suponho que, se arranjar um trabalho em part-time no McDonald’s, consigo cobrir as despesas extra.

O verdadeiro momento em que nos apercebemos do nosso envelhecimento… é quando já não temos de mentir, quando a internet nos pede para certificarmos que temos mais de 18 anos, para podermos entrar num dado site. Todos nos sentimos rebeldes, quando transgredimos as regras cibernéticas – portanto esta coisa de afinal já ser verdade, é uma chatice, porque impede a nossa necessidade de manifestar rebeldia.

Mas: calma! Podem sempre mentir relativamente a terem lido as condições de utilização. Sim, porque todo o ser humano (possuidor de um elemento raro da atmosfera terreste designado de: vida) tem mais que faça do que ler páginas e páginas repletas de letras minúsculas que não nos dizem rigorosamente nada de novo nem cultivam o nosso saber intelectual.

Aliás: quem é o indivíduo que escreve aquela conversa toda? Claramente alguém que sofre de miopia (tendo em consideração o tamanho microscópico das letras) e que não tem nada de melhor para fazer. No entanto, isso não é desculpa! Eu também sofro de miopia, e não me veem aqui a escrever cinco mil quatrocentas e noventa e sete páginas de condições de utilização, só para chatear as pessoas e obrigar as mesmas a infringirem um mandamento qualquer da Lei de Deus, não é?

Quanto aos restantes sintomas de velhice, a culpa é dos meus pais, porque não tiveram uma descendente normal. E damos o caso por encerrado.

Agora, retiro-me. As leis da termodinâmica e o cálculo de limites notáveis aguardam-me. E, já agora: querido exame, se eu tenho uma nota não-aceitável, mato-te a ti e à tua família (sim, o cão também). E ainda te furo os pneus do carro. Só por causa das coisas. Portanto: pensa nisso. Não te queiras meter comigo… eu conheço pessoas. Cof cof.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Época da caça à gorda

Porque é que toda a gente subitamente se lembra da existência de promenades nesta altura do ano? Tudo bem: acho ótimo que frequentem as promenades. Nada contra. Mas a questão aqui é: elas estiveram lá o ano todo – que raio de pessoas são vocês, que só agora se lembraram delas? Ontem, ao final da tarde, mal se conseguiam ver os semáforos, tantas eram as gordas a circular pelas passadeiras. E isto, claro está, afeta o tráfego automóvel. Não é bom para o planeta haverem tantas gordas a passear as banhas à mesma hora, e no mesmo sítio. É daquelas coisas que afeta o aquecimento global e provoca as chuvas ácidas.

Mas este é um fenómeno que ocorre a nível mundial. Aliás, se muita mais gente se apercebe disto, abrem uma época da caça à gorda, tal é a afluência desta espécie em regiões específicas do planeta (leia-se: promenades). E, aparentemente, gorda que é gorda, usa leggings floridos para correr, consequentemente cegando todo o universo em seu redor, com uma visão absolutamente aterrorizante, traumática e causadora de profundas perturbações psicológicas.

Gosto particularmente de ver aquela malta que vai correr para a promenade e, após vinte minutos, se senta numa esplanada e pede um crepe com nutella e uma coca-cola com gelo, como recompensa pelo seu esforço durante, precisamente, mil e duzentos segundos consecutivos.

– É pá, sou mesmo bom! Perdi 50 calorias a correr durante vinte minutos, e depois, para celebrar, fui consumir 600 calorias na esplanada. Já me sinto mais magro!

Só para esclarecer: sim, acabo de descrever pormenorizadamente, e com elevado rigor científico, as minhas idas esporádicas à promenade. Não me julguem.

Mas, falando agora com alguma seriedade: será que as gordas só se lembram que estão gordas pela altura do verão? É que, ou muito me engano, ou as banhas – durante o resto do ano – continuam lá. Como é possível não terem reparado? Que não tenham reparado naquela borbulha que vos apareceu na bochecha esquerda, eu entendo. Mas como é possível não repararem em algo que vos impede de observar os vossos próprios dedos dos pés? Algo aqui está muito mal, caras amigas.

E ainda há aqui mais uma situação que me aflige. O que é que a mãe de uma gorda lhe responde, quando esta pergunta se é bonita? É que o típico “o importante é ter saúde” nem se pode aplicar nesta situação, devido ao colesterol e à glicémia, e a tudo o resto. Que aborrecimento. Mas, vá, agora vou para a rua correr um bocado… porque acho que a carrinha dos gelados já vai ao fundo da rua e tenho de me apressar para conseguir apanhá-la.

Já agora: acho que perdi o meu iPhone 5 em lugar indeterminado. Se alguém encontrar um com uma maçã meia comida na parte de trás, é meu.

domingo, 2 de junho de 2013

Bóbi, busca!

Sempre nutri uma grande admiração por aqueles donos que conseguem ensinar os cães a irem buscar coisas que eles próprios (os donos) atiram. Uma vez tentei ensinar o meu cão a fazer o mesmo, mas a coisa não correu bem. Felizmente ou infelizmente, a criatura tem um feitio que é tal e qual o meu:

– O quê?! Ir buscar coisas que foste TU a atirar? Não vás lá, para quê! Ai a minha vida! Levanta mas é o rabo do sofá, ó gordo! Faz-te à vida!

Eu até percebo o ponto de vista do meu cão; sim, porque – se eu estivesse na sua posição – também não ia. Era o que mais faltava. Não foste tu que atiraste a bola? Pois. Então vai lá buscar!

A sociedade contemporânea olha para os cães como os nossos antepassados olhavam para o comércio de escravos africanos. De uma forma, até, um tanto sádica. Não há nada de inocente no ato de atirar uma bola para muito longe, com o intuito de posteriormente obrigarmos um outro alguém a ir buscá-la por nós. E o mais grave é que as pessoas encaram esta atividade como um momento de divertimento familiar; é daquelas coisas que entra naqueles grandes álbuns de família, que as nossas tias nos mostram de cada vez que vamos lá a casa almoçar.

Voltando à analogia do comércio de escravos, vejamos o lado positivo: ao menos os cães entram nos álbuns de fotografias, não é? Já os escravos africanos… pois. Ora então não se queixem, cães! Ao menos são escravos com privilégios. E, com sorte, o vosso dono até vos oferece biscoitos. Qual é o escravo africano que se pode orgulhar de já ter recebido um biscoito, e de o terem chamado de “lindo menino”?

Outra coisa que nunca entendi nos cães, é a forma como marcam o território. Sim, eu entendo que queiram mostrar a toda a gente que determinado sítio lhes pertence, mas porquê aquele típico ritual: cheirar, levantar a pata, fazer chichi, cheirar de novo e ir embora? Porque não: espalhar migalhas de pão pelo sítio a marcar, ao estilo de Hansel e Gretel? Ou deixar lá uma bandeirola branca, como fazem aqueles alpinistas que sobem a montanhas muito altas? Sempre era mais higiénico. Fica aqui a sugestão, ao universo canino que me lê.

Então e aquelas pessoas que compram roupa para os cães e andam com eles pela rua como se estivessem a desfilar num cortejo alegórico? Ainda há dias me deparei com um Chihuahua que empregava um vestido cor-de-rosa com folhos. Se se tratasse de um individuo do sexo feminino: tudo bem. Se bem que continuava a ser trágico e simplesmente errado. Mas o animal tinha pilinha! Isto é um atentado à sexualidade daquele cão. Que fêmea é que quer praticar rituais de acasalamento com um macho de vestido cor-de-rosa? Nenhuma Chihuahua-fêmea está disposta a estabelecer matrimónio com um Chihuahua-bicha para, anos depois, o apanhar na cama com outro Chihuahua-bicha com um laço amarelo nas orelhas. E é assim que surgem as chihuahuódepressões.

Trágico: deveras trágico.