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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A terceira idade precoce e o part-time no McDonald’s

Cheguei àquele momento deprimente da minha vida em que me apercebo que a terceira idade se aproxima. Podem dizer o que quiserem, mas não me venham com a conversa de que o facto de eu sair sempre do banho com os dedos enrugados é mera coincidência. Se isto não é um argumento a favor da minha teoria do envelhecimento, então o que é? Mas isto até nem é o mais grave. Dedos enrugados? Nada que um lifting não resolva. Se bem que a ideia de realizar uma operação cirúrgica depois de cada banho não me soa economicamente rentável, mas suponho que, se arranjar um trabalho em part-time no McDonald’s, consigo cobrir as despesas extra.

O verdadeiro momento em que nos apercebemos do nosso envelhecimento… é quando já não temos de mentir, quando a internet nos pede para certificarmos que temos mais de 18 anos, para podermos entrar num dado site. Todos nos sentimos rebeldes, quando transgredimos as regras cibernéticas – portanto esta coisa de afinal já ser verdade, é uma chatice, porque impede a nossa necessidade de manifestar rebeldia.

Mas: calma! Podem sempre mentir relativamente a terem lido as condições de utilização. Sim, porque todo o ser humano (possuidor de um elemento raro da atmosfera terreste designado de: vida) tem mais que faça do que ler páginas e páginas repletas de letras minúsculas que não nos dizem rigorosamente nada de novo nem cultivam o nosso saber intelectual.

Aliás: quem é o indivíduo que escreve aquela conversa toda? Claramente alguém que sofre de miopia (tendo em consideração o tamanho microscópico das letras) e que não tem nada de melhor para fazer. No entanto, isso não é desculpa! Eu também sofro de miopia, e não me veem aqui a escrever cinco mil quatrocentas e noventa e sete páginas de condições de utilização, só para chatear as pessoas e obrigar as mesmas a infringirem um mandamento qualquer da Lei de Deus, não é?

Quanto aos restantes sintomas de velhice, a culpa é dos meus pais, porque não tiveram uma descendente normal. E damos o caso por encerrado.

Agora, retiro-me. As leis da termodinâmica e o cálculo de limites notáveis aguardam-me. E, já agora: querido exame, se eu tenho uma nota não-aceitável, mato-te a ti e à tua família (sim, o cão também). E ainda te furo os pneus do carro. Só por causa das coisas. Portanto: pensa nisso. Não te queiras meter comigo… eu conheço pessoas. Cof cof.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Época da caça à gorda

Porque é que toda a gente subitamente se lembra da existência de promenades nesta altura do ano? Tudo bem: acho ótimo que frequentem as promenades. Nada contra. Mas a questão aqui é: elas estiveram lá o ano todo – que raio de pessoas são vocês, que só agora se lembraram delas? Ontem, ao final da tarde, mal se conseguiam ver os semáforos, tantas eram as gordas a circular pelas passadeiras. E isto, claro está, afeta o tráfego automóvel. Não é bom para o planeta haverem tantas gordas a passear as banhas à mesma hora, e no mesmo sítio. É daquelas coisas que afeta o aquecimento global e provoca as chuvas ácidas.

Mas este é um fenómeno que ocorre a nível mundial. Aliás, se muita mais gente se apercebe disto, abrem uma época da caça à gorda, tal é a afluência desta espécie em regiões específicas do planeta (leia-se: promenades). E, aparentemente, gorda que é gorda, usa leggings floridos para correr, consequentemente cegando todo o universo em seu redor, com uma visão absolutamente aterrorizante, traumática e causadora de profundas perturbações psicológicas.

Gosto particularmente de ver aquela malta que vai correr para a promenade e, após vinte minutos, se senta numa esplanada e pede um crepe com nutella e uma coca-cola com gelo, como recompensa pelo seu esforço durante, precisamente, mil e duzentos segundos consecutivos.

– É pá, sou mesmo bom! Perdi 50 calorias a correr durante vinte minutos, e depois, para celebrar, fui consumir 600 calorias na esplanada. Já me sinto mais magro!

Só para esclarecer: sim, acabo de descrever pormenorizadamente, e com elevado rigor científico, as minhas idas esporádicas à promenade. Não me julguem.

Mas, falando agora com alguma seriedade: será que as gordas só se lembram que estão gordas pela altura do verão? É que, ou muito me engano, ou as banhas – durante o resto do ano – continuam lá. Como é possível não terem reparado? Que não tenham reparado naquela borbulha que vos apareceu na bochecha esquerda, eu entendo. Mas como é possível não repararem em algo que vos impede de observar os vossos próprios dedos dos pés? Algo aqui está muito mal, caras amigas.

E ainda há aqui mais uma situação que me aflige. O que é que a mãe de uma gorda lhe responde, quando esta pergunta se é bonita? É que o típico “o importante é ter saúde” nem se pode aplicar nesta situação, devido ao colesterol e à glicémia, e a tudo o resto. Que aborrecimento. Mas, vá, agora vou para a rua correr um bocado… porque acho que a carrinha dos gelados já vai ao fundo da rua e tenho de me apressar para conseguir apanhá-la.

Já agora: acho que perdi o meu iPhone 5 em lugar indeterminado. Se alguém encontrar um com uma maçã meia comida na parte de trás, é meu.

domingo, 2 de junho de 2013

Bóbi, busca!

Sempre nutri uma grande admiração por aqueles donos que conseguem ensinar os cães a irem buscar coisas que eles próprios (os donos) atiram. Uma vez tentei ensinar o meu cão a fazer o mesmo, mas a coisa não correu bem. Felizmente ou infelizmente, a criatura tem um feitio que é tal e qual o meu:

– O quê?! Ir buscar coisas que foste TU a atirar? Não vás lá, para quê! Ai a minha vida! Levanta mas é o rabo do sofá, ó gordo! Faz-te à vida!

Eu até percebo o ponto de vista do meu cão; sim, porque – se eu estivesse na sua posição – também não ia. Era o que mais faltava. Não foste tu que atiraste a bola? Pois. Então vai lá buscar!

A sociedade contemporânea olha para os cães como os nossos antepassados olhavam para o comércio de escravos africanos. De uma forma, até, um tanto sádica. Não há nada de inocente no ato de atirar uma bola para muito longe, com o intuito de posteriormente obrigarmos um outro alguém a ir buscá-la por nós. E o mais grave é que as pessoas encaram esta atividade como um momento de divertimento familiar; é daquelas coisas que entra naqueles grandes álbuns de família, que as nossas tias nos mostram de cada vez que vamos lá a casa almoçar.

Voltando à analogia do comércio de escravos, vejamos o lado positivo: ao menos os cães entram nos álbuns de fotografias, não é? Já os escravos africanos… pois. Ora então não se queixem, cães! Ao menos são escravos com privilégios. E, com sorte, o vosso dono até vos oferece biscoitos. Qual é o escravo africano que se pode orgulhar de já ter recebido um biscoito, e de o terem chamado de “lindo menino”?

Outra coisa que nunca entendi nos cães, é a forma como marcam o território. Sim, eu entendo que queiram mostrar a toda a gente que determinado sítio lhes pertence, mas porquê aquele típico ritual: cheirar, levantar a pata, fazer chichi, cheirar de novo e ir embora? Porque não: espalhar migalhas de pão pelo sítio a marcar, ao estilo de Hansel e Gretel? Ou deixar lá uma bandeirola branca, como fazem aqueles alpinistas que sobem a montanhas muito altas? Sempre era mais higiénico. Fica aqui a sugestão, ao universo canino que me lê.

Então e aquelas pessoas que compram roupa para os cães e andam com eles pela rua como se estivessem a desfilar num cortejo alegórico? Ainda há dias me deparei com um Chihuahua que empregava um vestido cor-de-rosa com folhos. Se se tratasse de um individuo do sexo feminino: tudo bem. Se bem que continuava a ser trágico e simplesmente errado. Mas o animal tinha pilinha! Isto é um atentado à sexualidade daquele cão. Que fêmea é que quer praticar rituais de acasalamento com um macho de vestido cor-de-rosa? Nenhuma Chihuahua-fêmea está disposta a estabelecer matrimónio com um Chihuahua-bicha para, anos depois, o apanhar na cama com outro Chihuahua-bicha com um laço amarelo nas orelhas. E é assim que surgem as chihuahuódepressões.

Trágico: deveras trágico.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Uma girafa de madeira roubou-me as meias

O que fazer quando estamos a ser perseguidos por um preto (perdão: indivíduo de raça negra) que nos tenta convencer, incansavelmente, a comprar óculos de sol e girafas esculpidas em madeira? Ora, em primeiro lugar: com que propósito iria eu comprar uma girafa de madeira? Pergunto-me se haverá realmente alguém a comprar aquilo. É um assunto que me intriga. Qual será a finalidade de uma girafa esculpida em madeira nos arredores de Zimbabué? Se eu tivesse uma girafa de estimação, suponho que poderia servir-lhe de, sei lá, ornamento para a coleira ou, até, como peça de decoração de habitat. Mas aqui está o problema: é que eu não tenho girafas de estimação. O meu pai não deixa.

Aliás: o meu vizinho Alberto é o ser que mais se aproxima da definição de girafa, tendo em consideração o pescoço estupidamente grande que tem. Mas não me parece, de todo, adequado, oferecer-lhe uma girafa de madeira. O senhor poderia levar a mal. E, além do mais, ele nunca me ofereceu a mim uma joaninha esculpida em madeira (tendo em conta que me chamo Joana, parece-me uma falha tremenda da parte dele), porque é que eu haveria de lhe oferecer uma girafa? Caro amigo: a vida não está fácil para ninguém. Se quer uma girafa esculpida em madeira, então compre-a você!

Depois há aquele senhor que passa os dias a vender meias na rua abaixo da minha escola. Não há um único dia em que eu passe por ele e não o oiça a gritar: Meias! Meias! Olha as meias! Três pares por cinco euros! – isto na altura até me pareceu um bom negócio, devo confessar. Era uma profissão a que eu era capaz de me dedicar: à venda de meias. Acho que tinha futuro. Quais são os pais que não sonham ver os filhos como futuros vendedores e vendedoras de meias?

O meu interesse por esta profissão fez-me levar a cabo uma investigação aprofundada na área da compra e venda de meias. Descobri, assim, que o senhor das meias vende marcas chiquérrimas como a Adido, a Niko, a Pumi e a Reeboka. Quem nunca sonhou com umas meias da Niko? Bem que me estavam a fazer falta umas, já que as minhas desaparecem sempre misteriosamente durante a noite. Vou para a cama com elas? Sim. Quando acordo elas ainda estão lá? Negativo. Será que a atração gravítica da Terra faz com que as minhas meias desapareçam em regime noturno, para os arredores galácticos, e orbitem em redor do planeta?

Deixo-vos com essa reflexão. Agora permitam-me que vá comer uma lata de leite condensado às colheradas. Caso eu não regresse na semana que vem, é porque faleci devido à elevada concentração de açúcar na minha corrente sanguínea.