Páginas

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Uma girafa de madeira roubou-me as meias

O que fazer quando estamos a ser perseguidos por um preto (perdão: indivíduo de raça negra) que nos tenta convencer, incansavelmente, a comprar óculos de sol e girafas esculpidas em madeira? Ora, em primeiro lugar: com que propósito iria eu comprar uma girafa de madeira? Pergunto-me se haverá realmente alguém a comprar aquilo. É um assunto que me intriga. Qual será a finalidade de uma girafa esculpida em madeira nos arredores de Zimbabué? Se eu tivesse uma girafa de estimação, suponho que poderia servir-lhe de, sei lá, ornamento para a coleira ou, até, como peça de decoração de habitat. Mas aqui está o problema: é que eu não tenho girafas de estimação. O meu pai não deixa.

Aliás: o meu vizinho Alberto é o ser que mais se aproxima da definição de girafa, tendo em consideração o pescoço estupidamente grande que tem. Mas não me parece, de todo, adequado, oferecer-lhe uma girafa de madeira. O senhor poderia levar a mal. E, além do mais, ele nunca me ofereceu a mim uma joaninha esculpida em madeira (tendo em conta que me chamo Joana, parece-me uma falha tremenda da parte dele), porque é que eu haveria de lhe oferecer uma girafa? Caro amigo: a vida não está fácil para ninguém. Se quer uma girafa esculpida em madeira, então compre-a você!

Depois há aquele senhor que passa os dias a vender meias na rua abaixo da minha escola. Não há um único dia em que eu passe por ele e não o oiça a gritar: Meias! Meias! Olha as meias! Três pares por cinco euros! – isto na altura até me pareceu um bom negócio, devo confessar. Era uma profissão a que eu era capaz de me dedicar: à venda de meias. Acho que tinha futuro. Quais são os pais que não sonham ver os filhos como futuros vendedores e vendedoras de meias?

O meu interesse por esta profissão fez-me levar a cabo uma investigação aprofundada na área da compra e venda de meias. Descobri, assim, que o senhor das meias vende marcas chiquérrimas como a Adido, a Niko, a Pumi e a Reeboka. Quem nunca sonhou com umas meias da Niko? Bem que me estavam a fazer falta umas, já que as minhas desaparecem sempre misteriosamente durante a noite. Vou para a cama com elas? Sim. Quando acordo elas ainda estão lá? Negativo. Será que a atração gravítica da Terra faz com que as minhas meias desapareçam em regime noturno, para os arredores galácticos, e orbitem em redor do planeta?

Deixo-vos com essa reflexão. Agora permitam-me que vá comer uma lata de leite condensado às colheradas. Caso eu não regresse na semana que vem, é porque faleci devido à elevada concentração de açúcar na minha corrente sanguínea.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

É o costume, menina?

Sou uma pessoa de rotinas: vou sempre ao mesmo café, peço sempre a mesma coisa e percorro sempre o mesmo trajeto. Ah! Não é tão bom quando chegamos ao “nosso” café às oito e dez da manhã e nos deparamos com um garoto escuro, uma queijada e uma pastilha elástica Gorila em cima do balcão?

– É o costume, menina?

Subitamente, a minha ida ao café perde toda a magia. Porquê? Porque tenho a clara sensação de que, se contrariar a minha rotina, a senhora do café me vai julgar. Já imaginaram a tragédia que seria pedir um pastel de nata em vez de uma queijada? Ou uma pastilha elástica de morango em vez do habitual Gorila de menta? Aposto que, passados vinte minutos, a senhora do café já me teria arruinado por completo a reputação naquele estabelecimento. A minha relação com os frequentadores habituais daquele espaço (leais aos seus pedidos) nunca mais seria a mesma. Eu deixaria de ser respeitada. Passaria a ocupar o último lugar da cadeia alimentar daquele reino. Todos os animais me olhariam de lado. (Bem… chega de Rei Leão para ti, Joana.)

– Ui, olha para aquela galdéria… ouviste dizer que ela ontem de manhã pediu um pastel de nata? Foi a Geraldina, a senhora da mesa catorze, que me contou. Mas quem é que a porcalhona pensa que é? Traidora! Arruaceira! Herege!

Esta situação hipotética aflige-me profundamente. Depois ainda há aqueles dias em que não vou ao café e em que, no dia seguinte, sou confrontada com essa situação.

– Ah, bom dia, menina. Não a vi por aqui ontem… esteve doente?

Agora, para além de ter de justificar as faltas que por vezes dou, na escola, também tenho de justificar as faltas que dou no café. Será que no meu café também têm um Livro do Ponto onde assinalam as faltas dos clientes? E será que a única maneira de as justificar também é com um atestado médico ou com uma declaração dos pais, por escrito? E o limite de faltas, qual é? Qualquer dia, a senhora do café liga aos meus pais e diz-lhes que fui banida daquele estabelecimento, por excessividade de faltas. Ou então chama-me ao gabinete do gerente, para me pôr a lavar pratos, de castigo.

O que vale é que no meu café não mandam trabalhos de casa e também não temos apresentações orais nem exames. Se bem que, se o Crato se lembra de expandir as suas medidas ditatoriais na Educação para a Restauração, estamos todos tramados. Passarão, assim, a existir exames quinzenais que envolverão a degustação de empanadas e identificação dos constituintes de um Compal manga-laranja embalado na freguesia de Linda-a-Velha.

Senhoras e senhores, a isto chama-se: coffeebullying.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A origem da indústria pornográfica

Senhoras e senhores, hoje fez-se história! Sim: este é o dia que será para sempre recordado como o dia em que Joana Camacho descobriu a origem… das estrelas porno! Isso mesmo: o segredo foi desvendado.

Com certeza todos temos conhecimento daquela espécie tenebrosa de pais que insiste em trocar a fralda às crianças em todo o lado. Para eles, qualquer sítio é um potencial fraldário: sejam cafés, parques, lojas, estacionamentos, praias, ou centros comerciais. Ora, durante o meu jogging matinal de domingo, no decorrer de uma curta paragem para um sumo de laranja revigorante (ui, que estamos tão finas, menina Joana), fui confrontada com uma criança de rabo ao léu a passear-se pela minha mesa (e claramente a provocar-me, diria eu). O paraíso dos pedófilos, com certeza – mas não o meu.

Quanto a vocês, não sei, mas, apreciar o rabiosque de uma criança que se baba e usa chupeta, enquanto bebo o meu sumo de laranja natural, não se veio a revelar a combinação mais entusiasmante por mim já vivenciada. Toda a gente fala do rabinho dos bebés. Ainda ontem alguém me dizia:

– A tua bochecha é macia como o rabinho de um bebé. Mas que maravilha!

Peço imensa desculpa por não estar a pular de alegria, mas a minha bochecha esquerda acaba de ser equiparada a um rabo, permitam-me, por favor, que usufrua dos meus treze anos de luto.

– Mas então onde é que entram as estrelas porno no meio de tudo isto? Terá sido publicidade enganosa, para nos levar a ler este texto, convencidos de que certos e determinados temas seriam abordados?

Deixem-me que vos diga, caros leitores, que, se fosse esse o caso, teria sido um golpe de génio. Mas, não: a veracidade da frase introdutória deste texto é incontestável. Hoje vai – senhoras e senhores – fazer-se história! Porque eu, Joana Camacho, desvendei, por fim, o que centenas de investigadores tentam descobrir há milhares e milhares de anos. [suspense!]

As estrelas porno provêm, nada mais, nada menos, que destes seres, que veem seus traseiros exibidos ao mundo durante o seu período de incontinência intestinal e estupidez (efetivamente prolongada até à idade adulta).

Passo a explicar. Os pais das criancinhas mudam-lhes as fraldas de qualquer modo e feitio; deixam as criaturas correrem de um lado para o outro com o rabo de fora, enquanto jovens, pedófilos e até alguns animais (efetivamente domesticados e integrados na sociedade) as observam… claro que, o que se seguia, já era de esperar. Se meio mundo já lhes viu o rabo na altura em que se babavam e faziam chichi nas calças… porque não verem-lhes o rabo agora que já aprenderam a controlar os intestinos e a assoarem o narizinho sozinhos? É bem mais bonito de se ver.

E eis a história de como Erica Fontes se dedicou à indústria pornográfica. A mamã mudou-lhe a fralda no parque de estacionamento do Colombo e, a partir desse dia, a sua vida nunca mais foi a mesma. E assim, crianças, nasceu a pornografia. Espero que vocês – pais e mães dos arredores planetários – pensem, agora, duas vezes, antes de converterem o mundo num gigante fraldário.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pacotes de leite badochas e testemunhas de Jeová

Peço desculpa a todos pelo atraso, mas pelo caminho cruzei-me com uma gorda e ainda fui intersetada por testemunhas de Jeová, portanto: chegar aqui não se revelou tarefa fácil.

Mas, já que falei em gordas, permitam-me que exponha aqui uma questão que creio que poderá, também, ser a dúvida de muitos. Estava a examinar um pacote de leite Mimosa, quando me deparei com esta irregularidade no verso da embalagem, onde se lia: “leite meio gordo”. O que é que vem a ser isto?! Mas que tremenda falta de consideração é esta? Ai, vamos chamar aos gordos de fortes, gorduchinhos e cheiinhos, mas aos pacotes de leite… nada! Dos sentimentos deles ninguém quer saber, não é? Chamemos-lhes de gordos, badochas e anafados! E depois é o que se vê: pacotes de leite anoréticos, bulímicos, e com graves distúrbios alimentares. Tudo isto porque a sociedade não se lembra que aquele pacote de leite Mimosa também tem sentimentos.

Depois queixam-se que o leite está azedo. Pois claro! Se me chamassem a mim de “meia gorda”, também me deixava de meiguices e azedava (leia-se: partia-vos o nariz sem qualquer dó nem piedade)! Vocês declararam guerra aos pacotes de leite – agora parece que vão ter de lidar com isso. Temos pena. (Ai temos?)

Acho que, por esta altura, todos concordamos que é tempo de mudança; portanto, eu sugiro uma alteração no fabrico futuro de pacotes de leite. Defendo a sinceridade acima de tudo, portanto, ninguém pretende que lhes mintam e digam que são “leites esbeltos e elegantes”. Mas vá… e que tal um “leite meio forte” ou um “leite rechonchudo”? Sempre é mais simpático. E pronto. O meu serviço público está feito – pensem lá nisso, fabricantes de pacotes de leite.

Agora uma outra questão: mas será – SERÁ – que, sempre que estou com pressa, sou abordada por testemunhas de Jeová? Nada contra essa gente, mas… e que tal se emigrassem para um universo longínquo onde eu não tivesse de ser confrontada com a vossa existência? Era um grande favor que me faziam.

– A menina não gosta de ler? Não quer uma revistinha para ler à noite? Olhe, tem aqui este livrinho que fala sobre como Deus pôs os peixinhos a fazer glu glu e os coelhos a fazerem cocós com formas cilíndricas, sim? Ah, e a menina ajuda quem precisa, não é verdade? É uma boa menina… é, sim senhora.

Caríssimos(as): ide pregar aos peixes (e aos coelhos) para o raio que vos parta! Mas será que não entendem que as vossas revistinhas são sujeitas ao mesmo procedimento que os bombons oferecidos por parte de estranhos? Agradecemos o facto de nos terem oferecido a guloseima enquanto estes estão a olhar; mas, mal viramos a esquina, vai parar ao primeiro caixote de lixo que nos aparece à frente! Sois grandinhos(as) o suficiente para entender isto, não é verdade? É a lei da vida, caros(as) amigos(as). Portanto, vá: estamos em crise. Parem lá com isso de desperdiçar papel e – ainda por cima – fazer com que eu chegue atrasada aos meus compromissos. A minha vida não é a vossa!