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quinta-feira, 9 de maio de 2013

A origem da indústria pornográfica

Senhoras e senhores, hoje fez-se história! Sim: este é o dia que será para sempre recordado como o dia em que Joana Camacho descobriu a origem… das estrelas porno! Isso mesmo: o segredo foi desvendado.

Com certeza todos temos conhecimento daquela espécie tenebrosa de pais que insiste em trocar a fralda às crianças em todo o lado. Para eles, qualquer sítio é um potencial fraldário: sejam cafés, parques, lojas, estacionamentos, praias, ou centros comerciais. Ora, durante o meu jogging matinal de domingo, no decorrer de uma curta paragem para um sumo de laranja revigorante (ui, que estamos tão finas, menina Joana), fui confrontada com uma criança de rabo ao léu a passear-se pela minha mesa (e claramente a provocar-me, diria eu). O paraíso dos pedófilos, com certeza – mas não o meu.

Quanto a vocês, não sei, mas, apreciar o rabiosque de uma criança que se baba e usa chupeta, enquanto bebo o meu sumo de laranja natural, não se veio a revelar a combinação mais entusiasmante por mim já vivenciada. Toda a gente fala do rabinho dos bebés. Ainda ontem alguém me dizia:

– A tua bochecha é macia como o rabinho de um bebé. Mas que maravilha!

Peço imensa desculpa por não estar a pular de alegria, mas a minha bochecha esquerda acaba de ser equiparada a um rabo, permitam-me, por favor, que usufrua dos meus treze anos de luto.

– Mas então onde é que entram as estrelas porno no meio de tudo isto? Terá sido publicidade enganosa, para nos levar a ler este texto, convencidos de que certos e determinados temas seriam abordados?

Deixem-me que vos diga, caros leitores, que, se fosse esse o caso, teria sido um golpe de génio. Mas, não: a veracidade da frase introdutória deste texto é incontestável. Hoje vai – senhoras e senhores – fazer-se história! Porque eu, Joana Camacho, desvendei, por fim, o que centenas de investigadores tentam descobrir há milhares e milhares de anos. [suspense!]

As estrelas porno provêm, nada mais, nada menos, que destes seres, que veem seus traseiros exibidos ao mundo durante o seu período de incontinência intestinal e estupidez (efetivamente prolongada até à idade adulta).

Passo a explicar. Os pais das criancinhas mudam-lhes as fraldas de qualquer modo e feitio; deixam as criaturas correrem de um lado para o outro com o rabo de fora, enquanto jovens, pedófilos e até alguns animais (efetivamente domesticados e integrados na sociedade) as observam… claro que, o que se seguia, já era de esperar. Se meio mundo já lhes viu o rabo na altura em que se babavam e faziam chichi nas calças… porque não verem-lhes o rabo agora que já aprenderam a controlar os intestinos e a assoarem o narizinho sozinhos? É bem mais bonito de se ver.

E eis a história de como Erica Fontes se dedicou à indústria pornográfica. A mamã mudou-lhe a fralda no parque de estacionamento do Colombo e, a partir desse dia, a sua vida nunca mais foi a mesma. E assim, crianças, nasceu a pornografia. Espero que vocês – pais e mães dos arredores planetários – pensem, agora, duas vezes, antes de converterem o mundo num gigante fraldário.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pacotes de leite badochas e testemunhas de Jeová

Peço desculpa a todos pelo atraso, mas pelo caminho cruzei-me com uma gorda e ainda fui intersetada por testemunhas de Jeová, portanto: chegar aqui não se revelou tarefa fácil.

Mas, já que falei em gordas, permitam-me que exponha aqui uma questão que creio que poderá, também, ser a dúvida de muitos. Estava a examinar um pacote de leite Mimosa, quando me deparei com esta irregularidade no verso da embalagem, onde se lia: “leite meio gordo”. O que é que vem a ser isto?! Mas que tremenda falta de consideração é esta? Ai, vamos chamar aos gordos de fortes, gorduchinhos e cheiinhos, mas aos pacotes de leite… nada! Dos sentimentos deles ninguém quer saber, não é? Chamemos-lhes de gordos, badochas e anafados! E depois é o que se vê: pacotes de leite anoréticos, bulímicos, e com graves distúrbios alimentares. Tudo isto porque a sociedade não se lembra que aquele pacote de leite Mimosa também tem sentimentos.

Depois queixam-se que o leite está azedo. Pois claro! Se me chamassem a mim de “meia gorda”, também me deixava de meiguices e azedava (leia-se: partia-vos o nariz sem qualquer dó nem piedade)! Vocês declararam guerra aos pacotes de leite – agora parece que vão ter de lidar com isso. Temos pena. (Ai temos?)

Acho que, por esta altura, todos concordamos que é tempo de mudança; portanto, eu sugiro uma alteração no fabrico futuro de pacotes de leite. Defendo a sinceridade acima de tudo, portanto, ninguém pretende que lhes mintam e digam que são “leites esbeltos e elegantes”. Mas vá… e que tal um “leite meio forte” ou um “leite rechonchudo”? Sempre é mais simpático. E pronto. O meu serviço público está feito – pensem lá nisso, fabricantes de pacotes de leite.

Agora uma outra questão: mas será – SERÁ – que, sempre que estou com pressa, sou abordada por testemunhas de Jeová? Nada contra essa gente, mas… e que tal se emigrassem para um universo longínquo onde eu não tivesse de ser confrontada com a vossa existência? Era um grande favor que me faziam.

– A menina não gosta de ler? Não quer uma revistinha para ler à noite? Olhe, tem aqui este livrinho que fala sobre como Deus pôs os peixinhos a fazer glu glu e os coelhos a fazerem cocós com formas cilíndricas, sim? Ah, e a menina ajuda quem precisa, não é verdade? É uma boa menina… é, sim senhora.

Caríssimos(as): ide pregar aos peixes (e aos coelhos) para o raio que vos parta! Mas será que não entendem que as vossas revistinhas são sujeitas ao mesmo procedimento que os bombons oferecidos por parte de estranhos? Agradecemos o facto de nos terem oferecido a guloseima enquanto estes estão a olhar; mas, mal viramos a esquina, vai parar ao primeiro caixote de lixo que nos aparece à frente! Sois grandinhos(as) o suficiente para entender isto, não é verdade? É a lei da vida, caros(as) amigos(as). Portanto, vá: estamos em crise. Parem lá com isso de desperdiçar papel e – ainda por cima – fazer com que eu chegue atrasada aos meus compromissos. A minha vida não é a vossa!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Desamparem-me a loja

Porque é que as pessoas dizem que se vão embora e depois nunca vão? Acontece em todo o lado. É quando encontramos conhecidos na rua, é nas redes sociais, é em conversas instantâneas, ao telemóvel…

- Bem, se calhar o melhor é eu ir andando…

Podem parar com isso. Todos sabemos que a verdade é que nunca “vão andando”. Ainda ontem me cruzei com uma destas criaturas que insiste em dizer que se vai embora, mas que – no entanto – não fecha a matraca até nos contar a vida toda de trás para a frente e da frente para trás. Repetia vezes e vezes sem conta a típica frase do “bem, acho que vou andando”, quase como se estivesse a tentar convencer-se a ela própria de que tinha de se ir embora. Às vezes penso… será que esta confusão é oriunda de uma briga entre dois neurónios com opiniões contrárias? Se calhar existe um neurónio responsável – o totó que anda sempre com uma agenda atrás e está sempre lembrado dos compromissos – e outro irresponsável – que é a favor da procrastinação e que considera aquela conversa o expoente máximo de interesse.

Tenho de voltar a referir as noivas em dia de matrimónio. Pensem comigo: será que elas se atrasam porque encontram sempre alguém pelo caminho que insiste em dizer que se vai embora e depois nunca vai?

E depois temos as tão célebres despedidas telefónicas entre casais:

- Ai, desliga tu.
- Não, não… desliga tu.
- Mas ontem fui eu, hoje tens que ser tu.
- Ontem desliguei eu… por isso desliga tu!
- Não desligo… desliga tu.
- Desliga lá!
- Desligamos ao mesmo tempo?
- Está bem. Um… dois… três!
- Oh! Não desligaste.
- Tu também não! Hihihi.

Alguém que dê um tabefe nestes dois indivíduos. Com particular violência e agressividade, por favor. E, já agora, digam-lhes que foi da minha parte, e que mando os meus cumprimentos à família.

Há, contudo, algumas pessoas que dizem que se vão embora, e realmente vão. São raros os casos, mas há alguns registos históricos de tais acontecimentos. Vejamos, por exemplo, o caso de Dias Ferreira. Poucas são as pessoas que não ficaram a tomar conhecimento de que Dias Ferreira não gosta de Paulo Garcia, o moderador do Dia Seguinte, programa da SIC Notícias. E porquê? Porque Dias Ferreira fez beicinho e decidiu que não queria olhar para o moderador, porque não gostava dele. Ora, tal e qual crianças do infantário, Paulinho foi amuar para o canto da sala, e disse que também não gostava do Diazinho porque ele era feio. O menino Dias não gostou, e disse que ele e Paulinho a partir daquele momento nunca mais poderiam brincar aos cowboys juntos. E assim foi. Ora aqui está um exemplo que todos deveríamos seguir. Quando Dias Ferreira diz que não gosta de Paulo Garcia, não olha para ele, e que se vai embora: vai mesmo! Portanto aprendam com Dias Ferreira.

Agora deixo-vos, na esperança de que me desamparem a loja de cada vez que afirmam que se vão embora. E, sim: vou-me mesmo embora. Não porque não gosto de vocês, mas porque já se faz tarde e amanhã é dia de ir à missa. (Não é?)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sou o noivo do Dr. Clementino

As caras desesperadas. As revistas de há dois anos. O corredor mal iluminado. Os quadros semiurbanos… Sim, isto até podia ser uma música do Pedro Abrunhosa, mas para isso eu precisava de uns óculos de sol, não é? Eu podia simplesmente ir buscá-los e criar aqui um ambiente musical consideravelmente entretido, mas não me parece adequado deixar o leitor à espera. Portanto: deixemos o meu momento de glória musical para outra altura.

Coloco-vos agora uma questão, que é a seguinte: quando é que os médicos estabeleceram esta estranha analogia com a espécie feminina em dia de matrimónio?

A típica história da noiva que chega atrasada? Dessa já tinha ouvido falar, tudo bem. Mas tendo em conta que, quando (e se) me casar, desempenharei o papel de noiva – e não de noivo –, estamos bem (supõe-se que não terei de esperar por seja quem for).

A minha dúvida é: mas por acaso eu e o meu médico estabelecemos alguma relação de matrimónio em que concordámos que eu desempenharia o papel de noivo? Acho que há aqui uma clara confusão. É que eu, legalmente, nem tenho idade para casar! (E quando casar, espero que não me levem a mal, gostaria de ser a noiva – e não o noivo.) Eu até poderia pôr a hipótese de o ter feito, sei lá, em Las Vegas… segundo as estatísticas, realiza-se um casamento de cinco em cinco minutos. Mas não me parece. Os meus pais nem me deixam ir ao supermercado comprar legumes sozinha (talvez porque confundo alfaces com couves, e pepinos com courgettes); não me parece que me autorizassem a ir a Las Vegas com o propósito de me casar com o meu médico de 52 anos, casado e com duas filhas. Ou seja: agora levanta-se ainda mais uma questão que me perturba o sono: serei eu a amante do meu médico de 52 anos?

Mas porquê esta teoria do matrimónio, Joana? – perguntar-me-á o estimado leitor. Ora, não sei se é só a mim que isto acontece, mas não há uma única vez em que eu marque uma consulta e o médico chegue a horas. Marquei consulta para as 15h? Muito bem: então, se estiver num dia de sorte, pode ser que às 17h já tenha sido atendida. Por alguma razão, sinto que sou o noivo neste estranho relacionamento. Não admira que me divorcie, em média, três vezes por ano! É de tremendo mau gosto deixar-me à espera durante tanto tempo – não se faz.

Como se já não bastasse ficar toda uma tarde à espera da “noiva”, ainda tenho de o fazer num corredor mal iluminado, com uma velhota ranhosa a tossir para cima de mim, e tendo como entretenimento nada mais que revistas de há dois anos atrás (isto para não mencionar aquele terrível “cheiro a hospital”). E depois admiram-se com a taxa de divórcios em Portugal.

Aposto que se vocês – médicos e médicas deste mundo – começassem a chegar a horas às consultas, veríamos a percentagem de casamentos bem-sucedidos a sofrer um aumento abrupto. Vá, seus coraçõezinhos de manteiga… vão lá estudar a molécula de hemoglobina e deixem os casamentos em Las Vegas para quem tem tempo para isso. (E ai de si, Dr. Clementino, se não chega a horas à consulta que tenho marcada para amanhã à tarde. Sim: pode considerar isto uma ameaça.)