Páginas

sexta-feira, 29 de março de 2013

Não nutro qualquer tipo de afeto pela minha prima

Deduzo que por esta altura já todos terão chegado à conclusão de que hoje vos vou falar sobre… a minha prima – essa infame criatura. Toda a minha família é um caso curioso, mas a minha prima ultrapassa de longe o limiar da curiosidade (e não o digo no sentido apreciativo da coisa). O irónico é que… eu nem tenho primas. Imagino que agora esteja razoavelmente baralhado. Adoraria poder reconfortá-lo e dizer-lhe que vou resolver o seu problema – mas a verdade é que não vou. Lamento.

Apesar de a minha árvore genealógica me dizer claramente que não tenho primos, a Mãe Natureza insiste em contrariar a genética e os dados científicos, e presenteou-me com uma tal de Prima Vera. Por norma, eu ficaria extremamente feliz por ter um novo membro na minha família, mas não é este o caso. É que esta tal de Vera que se afirma minha prima – em primeiro grau e tudo, diz ela – não é flor que se cheire (literalmente).

Em primeiro lugar, anda desaparecida durante nove meses, todos os anos. E depois só dá sinais de vida nos restantes três – sempre na mesma altura. No primeiro ano em que isto aconteceu, pensei que ela tivesse, finalmente, ganho algum juízo: talvez tivesse encontrado o homem perfeito e resolvesse ter um filho. Quem sabe tinha decidido passar aqueles nove meses de gestação num qualquer lugar longínquo e paradisíaco. Pareceu-me compreensível na altura. Se bem que não lhe fazia mal nenhum avisar os familiares. Afinal de contas… a Mãe Natureza criou-nos uma relação fictícia de consanguinidade para alguma coisa, não é? Haja o mínimo de respeitinho pela falsa consanguinidade que nos une, querida prima.

Seja como for, até lhe tinha comprado um babeiro engraçadíssimo, com a cara do Pateta e tudo. Era uma fofura. Mas não é que a Vera regressa passados os nove meses, sem homem perfeito, sem criança, e sem justificação alguma? E a coisa foi-se repetindo: estava connosco três meses, depois desaparecia nos restantes nove. A teoria da gravidez foi rapidamente excluída. Aliás, eu sempre soube que a minha prima Vera era uma galdéria, mas não a esse ponto.

E como se isto já não bastasse, de cada vez que nos presentava com a sua presença, trazia com ela gripes, constipações, alergias e rinite alérgica. Que raio de prima é que nos oferece muco como souvenir? Se eu estivesse fora durante nove meses, oferecia à família, na pior das hipóteses, uma daquelas camisolas que dizem: I love [inserir aqui o nome de uma cidade qualquer] e que se vendem a três euros no aeroporto. Ou meias, sei lá. Toda a gente precisa de meias. Agora de ranho é que não!

Todos estes fatores fazem da Primavera uma estação detestável. Com ela, vem o pólen das flores, o spray nasal e as despesas acumuladas em pacotes de lenços. Querida prima: por favor dá ouvidos à genética e não voltes… 

… a não ser que eu precise de um rim e tu sejas compatível.

terça-feira, 26 de março de 2013

Um Toblerone fez de mim Sportinguista

Acordei com uma ideia deslumbrante para aquele que seria o melhor texto de sempre… só que depois bati com o joelho esquerdo na esquina da minha mesa-de-cabeceira e contribuí para o aumento da taxa de emigração de ideias, em Portugal. Por essa mesma razão, decidi falar-vos de futebol, já que sou uma entendida no assunto (este é aquele momento em que se riem).

Sendo filha de um homem que jogou durante anos a fio no Nacional, é professor de Educação Física e é benfiquista (pelo menos tudo indica que é mesmo ele o meu pai), o futebol é tema de ordem cá por casa. Há determinadas premissas que nós – habitantes desta casa – temos de respeitar, de modo a garantir a saúde, o bem-estar e a ausência de avantajadas dores de cabeça por parte de todos os seres que coabitam debaixo deste mesmo teto. É, por exemplo, de conhecimento geral, que aos fins-de-semana o plasma da sala está reservado única e exclusivamente para fins futebolísticos: primeiro há a Liga ZON Sagres, depois joga a 2ª Liga, segue-se a Liga de Espanha, a Liga Inglesa, a Liga Italiana e, com sorte, ainda há espaço para a Liga Alemã e para a Francesa. E ai de quem se atreva a sequer estabelecer contacto visual com o comando, ousando, ainda que por breves instantes, ponderar a hipótese de mudar de canal. Quem quer ver televisão na sala, vê Sport TV e não reclama.

O que me confunde em toda esta situação é o seguinte: imaginemos que um dado homem é do Benfica. São capazes de me explicar o porquê de passar o fim-de-semana inteiro jogado no sofá, abraçado a uma mini e a um prato de amendoins sem casca (ou de tremoços, vá), a ver todo e mais algum jogo de futebol entre equipas que possuem nomes que, por vezes, são impossíveis de pronunciar? Se é do Benfica, via só os jogos do Benfica. Mas não. Vocês – homens – comem tudo o que vos aparece à frente! No sentido metafórico e futebolístico, claro. Não desprezando os amendoins e os tremoços – aí podem interpretar a frase no sentido literal da coisa.

Sou Sportinguista e apresento-me como tal, é certo. Tomei a decisão de me tornar adepta do Sporting aos quatro anos de idade. O meu pai queria que eu fosse do Benfica; já a minha mãe estava mais inclinada para o Sporting. Porque é que ganhou a minha mãe? Simples: porque o chocolate Toblerone que ela me ofereceu era bem maior do que aquele chupa-chupa de cinco cêntimos com que o meu pai me tentou subornar. Pai, se me estás a ler, espero que tenhas aprendido que com chupa-chupas de cinco cêntimos não vais lá.

Caras pessoas que me leem: caso, por alguma razão, tencionem subornar a autora deste texto, permitam-me que vos deixe uma sugestão… chocolates. Montes e montes deles.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

És um pão integral. #1

É chegada a hora de inaugurar aqui no Blog a minha primeira rubrica. Que é o quê, exatamente? Bom, basicamente, invento uma coisa qualquer e mando mensagens a... gente. Para a estreia desta rubrica, enviei uma mensagem a 38 pessoas, todas do sexo masculino - no entanto, apenas 15 responderam. Interpelei-os a todos com a seguinte mensagem: Oi [nome da pessoa]. Já te disse que és um pão? - e, posteriormente, acrescentei que o referido pão era daqueles bons, integrais, que fazem bem à saúde. Recomendado pelos especialistas! - ao que eles responderam:

António Raminhos:
De Mafra? Ou saloio? :D







Hélio Arcanjo:
Hmmm deixa cá ver... Acho que não disseste. :)
A menina é bem atrevida. :)






Paulo Fragoso:
Obrigada pela simpatia... ;)







César Mourão:
Ahahaha exacto... obrigado. Beijinhos.







Bruno Ferreira:
Ahaha! Obrigado. :)
Ena pá! Isso é uma refeição inteira de elogios! Ahaha.







João Chaves:
Ainda não disseste.






SakE:
Lol true. Sou uma baguete.









Nuno Markl:
Ah ah ah! Fico contente, eu tenho-me em conta de carcaça ou papo-seco. Beijos e obrigado!






Pedro Fernandes:
Lol beijinhos.









Carlos Moura:
?
A gente conhece-se?









João Manzarra:
Então nesse caso reajo com alegria!
Beijinho. :)






Luís Filipe Borges
Ahahahahah, mais pão de Mafra, parece-me. Beijinhos. ;)
Rui Pêgo
Hahahahahhahaha. Ok.







Pedro Granger
Ahahahhaahha.










 

E é isto. Só porque tenho imenso tempo livre e gosto de aborrecer as pessoas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A complexidade das revistas cor-de-rosa

É de conhecimento geral que, para qualquer mulher que se preze, é essencial ter uma panca por revistas cor-de-rosa. Pois bem, não é esse o meu caso e, segundo consta, apresento todas as caraterísticas típicas de uma Homo Sapiens do sexo feminino (só não sou uma mulher que se preze, é certo). Mas vamos lá ver uma coisa: porquê ‘revistas cor-de-rosa’? Porque não revistas azuis, verdes, violetas ou até mesmo com as cores da bandeira gay?

Toda a ciência por detrás das ditas revistas me intriga. Ainda hoje me dei ao trabalho de folhear uma e deparei-me – espante-se o caro leitor – com duas páginas a relatar o facto de o Ricky van Wolfswinkel (ponta de lança do Sporting) ter pisado dejetos de cão aquando da sua saída de um restaurante. Em que mundo é que há alguma alminha que demonstre qualquer tipo de interesse por este acontecimento? Se me informassem a mim que tinha pisado caca de cão, isso sim seria de alguma utilidade. Quero lá saber se esse indivíduo pisou dejetos de cão ou não. Querem que lhe diga o quê? Olha, Ricky van Wolfswinkel, para a próxima tem mais cuidado e olha por onde andas, que isto em Portugal é assim; encontras uma ‘surpresa’ dessas em cada esquina.

Outra notícia que me fascinou foi a que dizia que ‘as britânicas querem um nariz igual ao de Kate Middleton’. Ao longo de uma página explicava-se o porquê de o nariz da Kate ser ‘quase perfeito’, do ponto de vista de cirurgiões plásticos e psicólogos, afirmando que ‘o ângulo entre o lábio e a ponta do nariz e a quantidade mínima de narina em exposição são quase perfeitos’. Isto é algo que, de facto, me aflige. Não porque tenho um nariz que quase assume a forma de uma batata, ou porque tenciono fazer uma rinoplastia tendo em vista o nariz da Kate, mas sim porque, entre os dejetos no sapato do Wolfswinkel e o nariz perfeito da Kate, não sei ao certo qual deles é o pior.

Depois há, ainda, aquela parte que consta em toda e mais alguma revista cor-de-rosa: como seduzir um homem, à custa de dicas como ‘sê assim, assado e cozido’. As dicas são sempre as mesmas; no entanto há malta que compra a revista todas as semanas, na esperança de que comecem a chover homens perfeitos e apaixonados do céu, suponho. Gosto particularmente daquela que diz: ‘mexa no cabelo suavemente se gostar dele’ ou a do ‘faça-lhe olhinhos, que ele não resiste’. Tenham juízo. Se não perdessem tanto tempo a ler dicas sobre como seduzir homens, acredito solenemente que, por esta altura, tivessem algo mais do que um monte de revistas da Caras empilhadas na vossa mesa-de-cabeceira. Aproveitem a dica, que esta foi de borla.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A experiência traumática de andar num elevador

Não sei se é de mim, ou se o mundo está mesmo repleto de experiências traumáticas. Por exemplo... que porcaria é essa dos elevadores? Confesso, nunca sei como agir perante um elevador. E não, não é por ter claustrofobia ou uma daquelas doenças com nome esquisito que os psicólogos inventaram para ganhar dinheiro à custa de pessoas que acreditam na Fada dos Dentes. É psicológico, malta. É tudo psicológico. (Mas não me ponham aranhas, ratos ou baratas à frente, que eu grito!)

Os elevadores são uma cena... que a mim não me assiste. Ui, há tanto para falar, no que toca a elevadores. Ó pá, vão mesmo dizer-me que não é - no mínimo - constrangedor ir num elevador (com pouco mais de 1,50 metros quadrados) ao lado de perfeitos (ou não tão perfeitos quanto isso) desconhecidos? Tenham juízo! O que é que se faz num elevador? Qual é o procedimento social a seguir? O que dizer? O que não dizer? Apresento-vos a complexidade de uma viagem no elevador, caros leitores.

É de conhecimento geral que eu sou uma pessoa que ri por tudo e por nada. É um facto, não há como negá-lo. E o pior é que o estúpido do meu cérebro (seu cabrão!) acha divertido pôr-me a rir nas situações mais constrangedoras e em que, basicamente, não é suposto rir. Entendes, cérebro? Não é suposto, ó parvo! Haverá algo mais constrangedor do que ir num elevador, ao lado de pessoas que não se conhecem umas às outras - tudo em silêncio -, e, do nada, começar a rir-me sozinha? Pois. É por estas e por outras que há gente por aí a chamar-me de parva.

Outra coisa: porque é que, quando entramos num elevador, todos sentimos uma súbita necessidade de mandar mensagens, abrir e fechar aleatoriamente as mais variadas aplicações no telemóvel, marcar despertadores e, por fim, olhar para a agenda? Pois claro: porque ninguém sabe o que é que é suposto fazer num elevador. Depois há aquelas pessoas com ar esquisito que insistem em olhar-nos da cabeça aos pés, com aquele ar de Lili Caneças a comentar a vestimenta da malta famosa que vai aos eventos sociais das revistas e dos canais de televisão ou daquelas marcas importantes.

- Ui... esta é cá uma galdéria!
- Ai, credo. Esta deve ser uma sem abrigo, pobrezinha... está tão mal vestida!
- Olha-me esta, com aquela malinha a pensar que é alguém. Com imitações da Louis Vuitton não vais lá, filha.
- Esta parece que é filha do outro, que é sobrinho do marido da afilhada daquele médico muito conhecido... está tão mal conservada, meus Deus...
- 'Ca nojo. Onde é que encontraste esses sapatos? No caixote do lixo, ó sua porca?

Sim, é isto que a malta pensa de nós. Isto e coisas piores. Só não vos digo quais, para não ferir susceptibilidades, causar traumas, e quebrar corações. (Preocupo-me tanto com os meus leitores.) Mas pior que tudo isto, só mesmo aqueles elevadores que têm música ambiente. Só por causa das coisas. Aposto que o cromo que inventou aquilo, fê-lo de propósito para nos dificultar ainda mais a vida. "Ah, vamos lá pôr música parva, mexicana, instrumental, e que não presta, nos elevadores, para deixar a malta ainda mais constrangida." O quê? Pôr música para gente normal? Não queremos cá disso! E há pessoal que não tem qualquer sentido de oportunidade. Que anormal é que tem a lata de entrar num elevador e pôr-se a assobiar ou a cantarolar a musiquinha que está a dar? Ó pá, parem lá com isso, por favor. Mas, agora a sério, pessoas que têm a mania de estabelecer conversações sobre o tempo, o Governo, o estado do país e sobre o quanto estão atrasados sabe-se lá para onde: ninguém quer saber. Convençam-se disso.

Como se já não bastasse, ainda há pessoas que entram no elevador e se entretêm a observar-se ao espelho, procurar coisas-que-jamais-são-encontradas-nos-subúrbios-da-mala até ao fim da viagem, pentear-se, ajeitar a camisa e endireitar a gravata... Quanto a mim, eu opto por olhar para o teto, controlar-me (inutilmente) para não rir à frente das pessoas, verificar se os atacadores dos meus sapatos estão em ordem, balançar nos meus próprios pés para a frente e para trás, bloquear e desbloquear o telemóvel vezes e vezes sem conta e... pronto. Resta-me rezar para que o elevador chegue depressa ao meu andar, para eu poder sair o mais rapidamente possível dali. É por estas e por outras que opto sempre pelas escadas, apesar de contribuir para uma respiração ofegante absolutamente desnecessária.

E quando nos enganamos no andar? Ui, que humilhação. Saímos do elevador, constatamos que aquelas paredes que nos rodeiam nos são desconhecidas, e voltamos rapidamente atrás afirmando que "afinal não era neste", acabando - nós - por sermos alvos de chacota durante o resto da viagem até ao andar pretendido. O incrível é que há sempre aquela pessoa que insiste em olhar fixamente para nós durante toda a viagem. Sempre com a mesma expressão séria. Nem mesmo quando olhamos para a pessoa, e constatamos que nos está a mirar fixamente, ela pára. Ora cá está um exemplo de uma viagem de elevador absolutamente arruinada.

Por favor digam-me que eu não sou a única anormal a ter traumas com elevadores e - particularmente - com pessoas que partilham o elevador comigo. Não sou, pois não? Pois não...?

sábado, 19 de janeiro de 2013

O tomate é uma fonte natural de licopeno

Podiam inventar mil e uma desculpas para incentivar-me a comer tomate, mas não: vão logo buscar o licopeno ao barulho. "Ah, e tal, o tomate é uma fonte natural de licopeno e faz-te bem." Mas o que caraças é o licopeno? Sim, porque uma criança de sete anos (foi a idade em que me lembro de esta saga ter começado) sabe perfeitamente que licopeno é bom e faz bem à saúde de um indivíduo. Definitivamente, não descendi dos meus progenitores atuais. Eles não são possuidores dos mesmos índices de criatividade que eu (chamar-lhe-ia antes de capacidade de desenrasque, mas enfim). Tantos bons argumentos que podiam usar... vão sempre buscar o licopeno. Licopeno... mas afinal que porcaria é essa? Segundo as aulas da minha professora de Português, podemos decompor as palavras em partes, de modo a encontrarmos o seu significado. Ora bem: licopeno=licor+penas? Isto quer dizer que os meus pais andam a incentivar uma criança a consumir licor e... penas? Ora que belos exemplos que são os meus progenitores.

Lembro-me, em tempos, quando era criança (sim, há duas horas atrás), de perguntar ao meu pai o que era o tal licopeno que tanto bem me fazia. E o que é que ele me responde? "Filha, o licopeno é uma substância carotenóide e o tomate é a melhor fonte de licopeno que podemos encontrar." Querido pai, muito obrigada. Aposto que a Joana Camacho de sete anos ficou extremamente esclarecida após a tua explicação (isto tendo em conta que nem a Joana Camacho de dezassete anos percebeu corno dessa conversa. E sim, essa Joana Camacho estuda Biologia na escola). Pronto, é isto. O tomate tem licopeno, o licopeno é uma substância carotenóide e... faz bem. Uma vénia para estes meus progenitores que sabem como incentivar uma criança ao consumo de salada. Ainda não me dei ao trabalho de averiguar qual é a faixa etária mais predominante nos leitores do meu Blog mas, caso algum dos caríssimos tenha descendentes, sinto-me na obrigação de vos aconselhar, de modo a que não se tornem nos pais-que-justificam-o-consumo-de-tomate-pela-boa-fonte-de-licopeno-que-este-é.

Crianças entre os 4 e os 12 anos:
1. Se comeres tomate, podes vir a desenvolver um bolsinho mágico como o do Doraemon.
2. Sabes quem gosta muito de tomate? O Noddy.
3. O Pai Natal disse-me que, se comeres a salada toda, este ano recebes um Ovo Kinder gigante.
4. Caso comas a saladinha toda, os papás levam-te ao Jardim Zoológico.
5. O melhor método para decorares a tabuada e aprenderes o alfabeto, é comendo tomate.

Adolescentes entre os 13 e os 18 anos:
1. Comer tomate faz o teu rabo ficar mais definido (maioritariamente para alvos do sexo feminino).
2. Se comeres muito tomate, saberás resolver qualquer problema de probabilidades e combinatória de que o teu professor de Matemática se possa lembrar.
3. Tomate previne o aparecimento de espinhas e pontos negros.
4. De cada vez que comes uma rodela de tomate, o Justin Bieber é agredido.
5. Se o consumo de tomate atingir as *inserir aqui número muito grande* toneladas, o Emanuel deixa de produzir músicas e videoclips "mete nojo".

Ora essa, não me agradeçam. É sempre um prazer poder fazer serviço público para convosco, queridos leitores. Toda a minha infância e adolescência foi atormentada pelo caraças do licopeno. Não desejo isso às gerações futuras. E... pais, se me estão a ler (Deus queira que não), parem lá com isso do licopeno... Tábom? Vá, acabou. A sério.

E sim, continuo a detestar tomate.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Os meus pais são toda uma espécie por mim incompreendida

Eu e os meus progenitores temos claras falhas de comunicação. 

1. Informo o meu pai de uma certa e determinada coisa; ele esquece-se; conclusão: diz que não eu não lhe disse absolutamente nada. 
2. A minha mãe avisa-me das coisas com meia hora de antecedência; eu aviso-lhe de seja o que for uma semana antes de acontecer; conclusão: diz que eu só a aviso das coisas em cima da hora. 
3. A minha mãe perde o telemóvel. O que é que acontece? Obriga-me a andar à procura dele até à exaustão. Eu esqueço-me de onde pus o meu telemóvel: "Não percebo como é que perdes as coisas! És uma irresponsável! Não tens cuidado nenhum! Andas com a cabeça não sei onde!". 

E é isto. Sou "o preto" cá de casa. Toda a gente bate no preto. Vamos lá esbofetear o preto, que ele merece. Pimba no preto! Isto tudo para vos informar que os meus pais estão a apresentar sintomas de terceira idade e/ou Alzheimer e/ou incapacidade de compreender as coisas e/ou evidente necessidade de me chatear a toda à força. E depois a culpa é sempre da adolescente que tem "as hormonas aos pulos" e está "na idade da parva" e... basicamente... é parva. Pimba no preto, mais uma vez!

Outra coisa que absolutamente adoro são aquelas perguntas retóricas que tanto gostam de me fazer. Vêem-me a dirigir-me para a casa de banho, e o que é que perguntam? "Vais à casa de banho?" Olha, não, vou só ali ver se está a chover. Se me estou a dirigir para a casa de banho, queriam que fosse para onde? Para Marte? O pior é que só se lembram que têm vontade de ir à casa de banho quando eu lá vou. É incrível o sentido de oportunidade desta malta. Invejosos. Não podem ver uma pessoa ir à casa de banho que subitamente também já querem ir. E isto da retórica também se aplica àqueles momentos em que me vêem cair. "Oh, caíste?" Caí? Ora essa, que parvoíce. Vim só ver como é que era a vista cá de baixo e aproveitei para ficar por cá, já que estava tão confortável.

Acho que, tenha eu que idade tiver, as pessoas "cá de casa" vão eternamente designar-me, perante outras pessoas, de "a criança" ou "a mais pequena" ou "a estúpida lá de casa" (e, consecutivamente, denegrir a minha imagem perante a população em geral). O "a mais pequena" não faz qualquer sentido, dado que sou quase dez centímetros mais alta do que qualquer outro membro da minha família (suspeito que fui adotada). "A criança" também não é totalmente verídico, dado que os especialistas já me consideram uma "jovem adulta" (os especialistas, leia-se: o jogo dos Sims). Quanto ao "a estúpida lá de casa", também não é verdade. O meu cão ultrapassa qualquer fronteira real ou imaginária de tolice, e chamam-me a mim de estúpida? Vão-se catar, progenitores! (Calma, calma. Não temam pela minha segurança, adorados leitores. Os meus pais não têm qualquer conhecimento da existência de um Blog da autoria da "estúpida lá de casa".)

E agora vou-me retirar. A minha mãe já está a mandar-me ir fazer chichi e lavar os dentes, para ir para a cama. Não. A verdade é que me quero despachar de vocês e não sei como. Ora então boa noite.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

As minhas cuecas têm notas musicais

In aula de Química (onde Joana Camacho se encontrava concentradíssima e a desempenhar linda e maravilhosamente a sua função de estudante):

- Ah mãe! Joana, as tuas cuecas têm notas musicais!

Sim, esta frase foi proferida por um outro alguém, cujo nome não irei pronunciar. E não, não foi sussurrada ou dita de tal forma a que apenas eu - a suposta destinatária da mensagem - a ouvisse. Foi dita alto e em bom som para que toda a humanidade num raio de três quilómetros e meio tomasse conhecimento de que as cuecas de Joana Camacho têm notas musicais. Sim: as minhas cuecas têm notas musicais. E até digo mais: são amarelas (aliás: eram amarelas, porque naturalmente já as troquei). Todo este súbito interesse pela minha roupa interior intriga-me. Para onde é que a malta anda a olhar quando eu não estou a ver, afinal?

- Ó Joana, e como é que viram as tuas cuecas? Não era suposto haver toda uma indumentária a tapá-las?

Agora é que me deu cabo do esquema, querido leitor (sim, o travessão acima era suposto ser uma fala sua). Lembra-se do meu texto do SWAG? Então pronto, aí tem a sua resposta. Eu sou uma jovem possuidora do SWAG e, como tal, há sacrifícios que têm de ser feitos em prol deste "movimento", não é...? Não. Claro que não é. A verdade é que detesto cintos e há uma probabilidade acrescida (o caraças com as probabilidades matemáticas!) de as minhas calças estarem consideravelmente largas e de, como a minha mãe tanto gosta de dizer, "me estarem a cair pelo rabo abaixo". Já a minha avó, considera que as minhas cuecas amarelas e com notas musicais são equivalentes ao meu rabiosque e dirige-se a mim com a seguinte insinuação: "Tens o cú todo de fora!" (peço imensa desculpa pela linguagem mas, para todos os efeitos, a culpa foi da minha avó). O problema é que, em grande parte das vezes em que a minha avó diz isto, está na infeliz situação de possuir um cabo de vassoura em suas mãos e... o final desta história facilmente se adivinha. Como se já não me bastassem as escadas a proporcionar belas nódoas negras ao meu rabo, tenho um cabo de vassoura que insiste em contribuir para esta nobre causa. Obrigada, querido cabo de vassoura.

Caso seja de vosso interesse, possuo também cuecas com figuras do Pocoyo, da Barbie, do Doraemon e de Pedro Passos Coelho, pelas razões óbvias. Se bem que, desde que o Canal Panda passou a dar os episódios do Doraemon em Português, desceu bastante na minha consideração. Estou a pensar seriamente se ele realmente merece um lugar nas minhas cuecas. Canal Panda, sei que me estás a ler: dou-te duas semanas para repores as vozes originais (e em espanhol!) do Doraemon, caso contrário... vou queimar todas as cuecas que contenham qualquer registo dessa magnifica criatura azul (favor não confundir com aqueles seres desprezíveis que dão pelo nome de Avatar) com um bolsinho mágico.

Informo a pessoa-cujo-nome-não-deverá-ser-aqui-pronunciado de que amanhã usarei umas cuecas cor-de-rosa com as seguintes palavras: deixa a minha roupa interior em paz. Joana Camacho agradece antecipadamente.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os dentistas são criaturas que me afligem

Odeio dentistas. Acho bem que nenhum de vós - leitores - desempenhe esta função profissionalmente (ou de qualquer outra forma), caso contrário teremos problemas graves. Se é este o seu caso, faça favor de abandonar o meu Blog. E nunca mais cá volte. Os dentistas atormentam a minha existência desde sempre. Na verdade, acho que atormentam a existência do mundo em geral. Ninguém gosta de dentistas, é tão simples quanto isto. Porque é que eu não tenho amigos dentistas? Exato, porque não estabeleço quaisquer relações que envolvam um contacto social/ físico/ imaginário com essa espécie. Chamem-me parva, chamem-me mal-agradecida, digam que eles desempenham uma função essencial na nossa sociedade... não quero saber! Não gosto deles, não quero falar com eles, não quero vê-los à minha frente e muito menos quero que se aproximem da minha boca empregando em suas mãos todo um rol de instrumentos cirúrgicos cujo fim eu desconheço.

Como se já não bastasse aquela eternidade que tenho de ficar à espera da consulta, com montes de revistas de há quarenta anos anos atrás em meu redor; o cheiro horrível que me entra pelas fossas nasais e atormenta o meu cérebro; e todo aquele ruído ensurdecedor de brocas e gritos provenientes do consultório (a parte dos gritos talvez não seja totalmente verídica), ainda tenho de levar com uma dentista com a mania que tem piada. Ora, se estou no dentista, é impossível não estar de boca aberta e com montes de esferovite (o que são aquelas coisitas brancas, afinal?) por todo o lado, certo? Então expliquem-me lá que sentido é que isto faz:

- Ora então vamos lá saber, Joana... que tal vai a escola? Estás em que ano?
- Smiflugh alhfgs ehdsnm...
- Diz? Desculpa, não percebi.
- Heinstghsn ahdmadb dhamdhg!
- Hum, estou a ver. E estás a ter boas notas? No ano que vem já entras na Faculdade, não é?
- Kastafsn agsaskjiahd eahudandmd adshjgad...
- Diz?
- HGSADIUYAS DHSAGDE SAJHDSG!

Queridíssima senhora tratadora de dentes: tenho montes de esferovite na boca e tem toda a sua mão enfiada lá dentro. Como raios quer que lhe responda às suas perguntas (por sinal sem relevância alguma e sobre assuntos que não lhe dizem respeito) nestas condições?! É mesmo a gozar com a cara da pessoa que está ali deitada feita parva. Agora que me lembro, tinha toda uma panóplia de possíveis armas de ataque mesmo à frente do meu nariz (literalmente) e não fiz uso delas. Que desperdício. E pensar que aquela coisa afiada (não me perguntem o nome) poderia ter servido para outra coisa que não picar-me repetidas vezes a gengiva.

E depois há aquelas conversas entre a dentista e a assistente (que entretanto também já fez questão de enfiar toda a sua mão gorda e peluda na minha boca) que tenho de aturar. Falam de tudo e mais alguma coisa: do cozido que o marido da não-sei-das-quantas fez no fim-de-semana e que estava intragável e da carne que estava mal cozida; do filho que chega tarde a casa e não dá justificações a ninguém; daquela que dormiu com não-sei-quem e que agora vai ter um filho; daquele paciente que chegou meia hora atrasado e que ainda teve o descaramento de "mandar vir"... Enfim. Acho que por vezes elas até se esquecem que eu ainda estou ali no meio. Eh... hello? Estou aqui de boca aberta e com as vossas mãos a perturbar a livre circulação da minha língua, podem dar-me atenção ou querem que eu saia, para conversarem à vontade? É que eu não me importo, nem nada que se pareça.

E ainda há mais. A típica frase do "faz uma boquinha de leão, faz" já não é adequada à minha idade, cara dentista. Os meus dezassete anos não merecem este tipo de humilhações; ainda para mais quando tenho a boca aberta de tal forma que até um bisonte cabia lá dentro! Poupe-me, por favor. Boquinha de leão... eu dou-lhe uma boquinha de leão... (Os leões mordem, não é?) Depois é chegado aquele momento em que temos de babujar água na boca (a minha mãe diz que é assim que se chama) e depois cuspi-la para dentro do copo e ficar, consequentemente, toda babada. E o pior é que elas (a dentista e a outra) nem se vão embora. Ficam mesmo a assistir ao momento em que ponho água na boca, cuspo e me babo. Estou, até, plenamente convencida de que tiram uma fotografia nesse preciso instante e vão logo publicá-la no Facebook e no Instagram e sabe-se lá mais onde, para partilharem com o resto dos seus amiguinhos dentistas. 

Todas as idas ao dentista são um sofrimento atroz. O que vale é que, depois de uma ida ao dentista, há sempre recompensa: um Magnum Double Caramelo. Sim, porque a minha boca precisa de ser, de alguma forma, desintoxicada de todo aquele esferovite e luvas de latex e... limpeza excessiva. Não há melhor sensação do que sujar os dentes com chocolate e caramelo logo após uma ida ao dentista. Já que não posso espetar-lhes com um bisturi, sujo os dentes com chocolate. Pimba! In your face, dentistas!

Que fique bem claro que odeio toda essa espécie. Se eu alguma vez mandar nisto tudo (nisto o quê, exatamente?), vão ser a primeira raça a exterminar. Riam-se enquanto podem, tratadores de dentes! A vossa alegria pode não durar muito tempo. *inserir aqui riso maléfico e deveras intimidante*

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pessoas que julgam que eu não tenho vida social

Não sei se tenho alguma coisa escrita na testa, se é por ter o nariz grande ou, talvez, por não usar saias, vestidos e sapatos maricas, quem sabe? Mas a verdade é que a humanidade tem uma tendência esquisita para acreditar convictamente que Joana Camacho não tem vida social. Mas Joana Camacho não entende esses seres que menosprezam a sua capacidade de socialização. Joana Camacho tem uma vida. Pelo menos gosta de acreditar que sim. E Joana Camacho sente-se frustrada pois, esses seres que acreditam deter conhecimentos acerca da forma como passa as suas vinte e quatro horas diárias, insistem em julgá-la uma pessoa que nada faz da vida e que tem resmas de tempo para dispensar a qualquer altura. Meus caros, tenho um comunicado a fazer-vos: isso é a mais pura das mentiras. Tenho uma vida deveras atribulada e não mereço que menosprezem o meu atribulamento. E isto porquê? Porque há malta que simplesmente não entende a minha incapacidade de cumprir prazos.

- Ó Joana, sabes há quantos anos não publicas textos no teu Blog?
- O teu Blog está cheio de teias de aranha... que tal passares por lá e limpares aquela porcaria?
- Seria no mínimo decente fazeres publicações ao menos semanais no teu Blog!
- Custa assim tanto atualizar os teus leitores?

Meus queridos... sabem que vos adoro e blá blá blá essas tretas todas. Mas a minha vida não é só isto (tomara fosse)! E, para além do mais, não é todos os dias que o meu pequenino cérebro tem inspiração para escrever todo um texto a falar de parvoíces. Sim, porque todas estas letrinhas, que formam palavras, que consequentemente formam frases, que formam parágrafos e que, por fim, formam um texto, não caem do céu, como muito boa gente pensa. Dá o seu quê de trabalho. Mas, ainda assim, há malta que insiste em tomar por "certo e sabido" que eu não faço mais nada da vida e que tenho tempo para dar e vender (quem me dera a mim ter tempo para vender... era capaz de ser o meu bilhete de partida para fora desta crise). E o pior é que isto não acontece só na Blogosfera.

- Joana, anda connosco ali ao café!
- É pá não vai dar... já tenho cenas combinadas.
- Sim, certo. Vá, anda, não inventes!

Mas... mas... que raios é que se passa aqui? Uma pessoa já não pode ter coisas marcadas, queres ver? Até os professores duvidam da vida atribulada que levo! O que é uma verdadeira lástima. Onde é que anda o profissionalismo desta malta?

- Então, Joana, o que é que se passa? Está com um ar cansadito, hoje.
- É verdade... deitei-me tarde, estou cheia de sono.
- Deixe-me adivinhar... esteve em mais uma das suas sessões diárias de "5 para a meia-noite". Não, não! Esteve a atualizar o seu estado do Facebook e isso não permitiu que descansasse como devia, não é?

Que pouca vergonha é esta, afinal? Mas o que é esta descrença no árduo trabalho de Joana Camacho? Eu podia ter estado até às tantas a estudar, ou... a fazer trabalhos de casa. Ou a rever a matéria. Mas não... a pessoa-que-não-faz-nada-da-vida esteve a ver o talk-show do costume (o melhor talk-show de humor de sempre, para ser mais precisa) até às tantas e a navegar pela Internet. O que por acaso até é verdade mas... isso agora não interessa nada. 

Sou vítima de enxovalhamento público. Pergunto-me se haverá uma daquelas linhas telefónicas de apoio dedicadas a isto. Caso algum dos estimados leitores tenha conhecimento de algo do género, por favor entre em contacto comigo. Qualquer coisa do género Voz Amiga servirá. Vejam lá é o que é que me arranjam! Já me bastou aquela vez em que me deram um suposto contacto da linha Gatos Quiduxos, porque precisava de aconselhamentos relativamente a como fazer o meu gato parar de arranhar os sofás, e me atendeu um individuo que me abordou com a pergunta "Olá gatinha, queres brincadeira?". Com certeza o senhor era novo no serviço e julgava que os gatos é que ligavam à procura de alguém com quem desabafar, e não os donos. Se bem que continuo a achar que deviam ter mais cuidado com estes novatos no serviço. Claramente são jovens perdidos que não sabem ao certo como desempenhar o seu trabalho. A economia do pais está num estado tal que há falta de apoios aos empregados, por parte dos patrões. E depois é isto: sou confundida com o meu animal de estimação. Mas bom, em prol do desempenho do senhor, estou segura de que o meu animal de estimação adoraria ter sido abordado daquela forma. Temos de admitir que o senhor teve o seu charme.

Para finalizar: JOANA CAMACHO TEM VIDA PRÓPRIA, CARAÇAS!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Qualifico o dia de hoje como: cocó

Hoje o dia não me está a correr bem, portanto, se eu fosse a vocês, escolhia outro dia para me chatearem. Hoje não é o dia. Com certeza o atento leitor quererá saber o que se passou ao longo destas míseras dezasseis horas, não é verdade? Não? Bom, lamento, mas vai ser informado de qualquer das formas.

Uma segunda-feira começa sempre mal. Não há forma de uma segunda-feira ser um bom dia, encarem isto como um facto. Todas as segundas-feiras são deprimentes. Umas mais do que outras, é certo; mas andam todas ali no patamar a que gosto de denominar de "cocó". E esta segunda-feira começou literalmente assim: com cocó. Aliás, comigo a passar por cima do cocó do meu cão. Que maneira soberba de se começar o dia! Ai, como eu adoro a minha vida. Como se já não me bastasse ser segunda-feira, ter aula de Matemática logo de manhã (santa paciência a minha, para ter que levar com a função exponencial às 8:15h da matina), estar com sono porque me deitei tarde no dia anterior e ter fome, ainda tenho de passar com a minha bonita pantufa cor de rosa justamente em cima do esterco do meu canídeo que de higiénico não tem nada! Mas enfim, o meu dia começou assim: com cocó na minha pantufa e um pai que, para me acordar, quase deita a casa a baixo, de tal que é a violência. Uma pobre criança como eu, que nada de mal fez ao mundo, não merece este género de tratamento. Não merece!

Para juntar ainda mais emoção ao meu dia, estava eu a sair de casa a correr (atrasada, como sempre), quando, subitamente, ao descer as escadas, falho um degrau e bato com o meu infeliz traseiro na esquina do dito cujo. Malditas sejam, escadas! Quem é que vos pôs aí, afinal?! Não viram que estava gente a passar?! As escadas já não me respeitam como antigamente. Desde que a minha mãe me obrigou a encerá-las que elas se julgam melhores que eu. Não passo de um mero joguete nas suas mãos. Nos seus degraus, aliás. E depois o meu rabo é que sofre! Mesmo quando me vir livre destas escadas (sonho que esse dia há-de chegar), ainda vou ter as nódoas negras no meu traseiro a lembrar-me que elas, em tempos, existiram e atormentaram também a minha existência. Mundo, porque é que és tão cruel para mim? 

E os acontecimentos não ficam por aqui! Estava atrasadíssima para a aula de Matemática e (vejam lá a minha sorte) no pequeno percurso que fiz do carro até à escola, decidi cruzar-me com gente que não via há anos e que insistiu em cumprimentar-me e enriquecer o meu dia com factos da vida deles (não requisitados e que de nada me interessavam). Encontrei duas ex-colegas de trabalho da minha mãe que vieram com a típica conversa do "ai, estás tão crescida" e do "ui, como é que vai a escola". E encontrei, ainda, um rapaz que já não via há imenso tempo. Isto tudo quando ia a caminho da minha aula de Matemática, tal e qual uma aluna aplicada! Mas esperem, ainda há mais. Quando cheguei à escola, vi montes de gente na rua e estranhei a situação, porque já estava quase quinze minutos atrasada. Eu sei que a malta da minha escola é rebelde mas... Tanta rebeldia, logo numa segunda-feira de manhã? Tomem juízo! Ora, olhei para o relógio do telemóvel e faltavam dois minutos para dar o toque de entrada. Aparentemente, o meu relógio tinha-se adiantado, por razões que estão fora do alcance do meu conhecimento. Maldito cocó, malditas escadas, maldito relógio, maldita aula de Matemática! Chego a ter pena de mim própria, a determinada altura.

Para finalizar a minha manhã em grande: teste de Português sobre Álvaro de Campos e os seus amiguinhos. Aposto que, se o Fernando Pessoa ainda fosse vivo, não iria querer para nós - crianças e adolescentes portugueses - a maleita de ter de o estudar. Sejamos sinceros: ele é um gajo complicado. Ainda bem que não nasci a tempo de ser amiga dele. Imagino o que seria, tê-lo como amigo. Pior que isso só mesmo ter o Passos Coelho a insinuar que temos uma qualquer relação de amizade no Facebook.

Como vêem, ser a Joana Camacho não é pêra doce. E atenção, que eu até nem gosto de pêras, mas vá. Sê-de felizes, queridos leitores. (Ai, que sou tão fofinha e sentimental.)

domingo, 13 de janeiro de 2013

As mulheres e os saltos altos

Queridos jovens (e pessoas não tão jovens), hoje não vos venho falar da nossa querida Pépa Xavier, que deseja uma mala clássica da Chanel para 2013; e muito menos do casaco às bolinhas do Messi e no quanto este se assemelha ao casaco de Manuel Luís Goucha. Sim, sei que agora parece que é moda falar destes assuntos, mas então ainda bem que eu não ligo às modas. E para isso tenho as minhas calças de ganga e os meus ténis foleiros que o comprovam. Podia vir falar da vitória do Sporting. Isso sim, é qualquer coisa que merece um destaque no meu Blog. Mas não, também não vou falar sobre a vitória do Sporting. Até porque foi contra o Olhanense e... não, não vou falar sobre isso. Também podia falar-vos da espiral recessiva e da conjectura do país, mas não faço a mais pequena ideia do que se trata e não quero meter o Vítor Gaspar ao barulho, senão ainda adormecemos todos. Vou antes falar-vos de algo que aflige toda a população feminina do planeta Terra e arredores extra-planetários: saltos altos.

Estava eu, hoje à tarde, a tentar estudar Álvaro de Campos, quando me deparo com uma notificação relativa a um novo texto no Blog da Ana de Oliveira (ou, como lhe gosto de chamar, "a rapariga dos parêntesis" - se bem que já se anda a controlar na dose. Façam o favor de ir ver o Blog dela, que é qualquer coisa de espetacular, sim?). E eu, como boa seguidora que sou, larguei o Álvaro de Campos da mão (bendita sejas, Ana) e fui aos seus 157 centímetros de opinião a ver o que é que se passava desta vez. E o que era? Uma súbita indignação com os saltos altos e apelo ao sofrimento das mulheres que se aguentam em cima dos mesmos.

Ora muito bem, vamos lá ver uma coisa: nós, mulheres, somos umas sofredoras. Digam vocês - homens - o que disserem. Toda aquela publicidade sobre o conforto dos tampões Tampax e dos pensos higiénicos Evax são mera publicidade enganosa (e o nosso sangue não é azul. Só para esclarecer essa questão). E depois ainda temos de ser nós a ter aqueles seres humanos vulgarmente denominadas de bebés! Sabem o tamanho que essas criaturas têm quando nascem? Sabem?! Ainda vos podia falar da depilação, mas dado que há homens que também já aderiram a essa moda, vamos deixar esta questão de parte. E depois há aquele calçado que se denomina de "saltos altos". Há para todos os gostos: com bolinhas, às riscas, cor-de-rosa, amarelos, pretos, castanhos, felpudos, rugosos, lisos... De tudo e mais um pouco.

Das poucas vezes que saí à noite, ao longo dos meus dezassete anos, orgulho-me de nunca ter submetido os meus pés a tal sofrimento. Faço parte daquela minoria de mulheres que não tem uma súbita panca por sapatos de salto alto e botas todas "pimpim". Não sei, às tantas sou eu que tenho algum problema. Mas seja qual for o meu problema, ainda bem que o tenho. E ai do médico que me prescrever qualquer tipo de medicamentos para lidar com esta espécie de patologia que me aflige. Ai dele! As minhas sabrinas fofinhas e com lacinhos são adequadas o suficiente para toda e mais alguma ocasião social à qual seja impingida a minha ida (sim, porque eu estou muito bem em casa, no conforto dos meus cobertores e do meu computador). E, ainda assim, já me magoam os pés o suficiente. Isto de andar a dançar e a caminhar de um lado para o outro a noite toda não é para qualquer um, não pensem. Já não tenho idade para essas aventuras. A coluna já não o permite. (Joana, és tão má. Pára lá de gozar com os velhinhos, que são tão boas pessoas.)

O que me safa é que sou uma pessoa relativamente alta (não tão alta quanto o meu professor de Matemática, mas alta o suficiente) e, sem saltos altos ou algo que se assemelhe, "dou baile" a muita malta com saltos de sete centímetros e meio. Os meus cento e setenta e três centímetros nunca me traíram. Além do mais, sou uma pessoa desequilibrada por natureza; toda a gente sabe disso. Não é por acaso que tenho os joelhos todos esfolados e montes de cicatrizes nas pernas (não, isso não é sinónimo de uma infância feliz, como se diz por aí). Tropeço nos meus próprios pés quando estou a usar sapatilhas. Alguma vez este ser desequilibrado poderia calçar saltos altos?! É que nem mesmo dos mais pequenos! Aí sim, teríamos uma verdadeira tragédia. E das boas! Com mortos e feridos e tudo. Era algo que sem dúvida valia a pena ver.

Algo que me impede de ser uma potencial usuária deste tipo de calçado é a minha pata estupidamente grande. Calço o número 42 (a tender para o 43). Não se arranjam sapatos de salto alto deste tamanho ao virar da esquina! (E ainda bem que assim é.) Outra coisa que não entendo é todo esse fascínio por andar em pontas dos pés. Se têm um pé completo, para quê usufruir das suas capacidades apenas pela metade? Que desperdício. Um grande bem-haja a todas as corajosas que se põem diariamente em cima dessas coisas e que arriscam a vida de uma forma heróica e parcialmente parva ao mesmo tempo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O miúdo tem SWAG

Vou iniciar esta publicação por vos informar que estou a usar óculos de sol e um chapéu que manda imenso estilo; dentro de casa. E também tenho as calças precisamente quarenta e oito centímetros abaixo do nível da cintura e estou a usar roupa interior de marca. "SWAG!", diriam vocês. E sim, é um facto. Eu tenho muito SWAG. Mas muito mesmo! Tal como grande parte da malta da minha idade. Isto excluindo, claro, o grupo dos intelectuais, dos totós e uma ou outra excepção à regra. Jovem que é jovem tem de ser possuidor do SWAG. É praticamente uma regra da sociedade. Há um puto que leva meias de cores diferentes para a escola? Não, não é um bronco que nem olhou para o que trazia vestido quando saiu de casa. Tem SWAG! E aquele cromo que masca a pastilha elástica de boca aberta? Também tem SWAG. Himalaias de SWAG. Buéda SWAG mesmo! Ui, já para não falar naquele pessoal buéda rebelde que usa todo um léxico por mim desconhecido (por favor deixem-me permanecer na ignorância; imploro-vos!). 

O pior é que as gerações anteriores à minha também já estão a começar a apanhar esta moda. Há um professor de Educação Física na minha escola que emana SWAG por todos os poros que lhe constam no corpo. Anda de óculos de sol pela escola inteira, masca uma pastilha elástica (de boca aberta) a toda a hora, que nem um ruminante, e, para além de tudo isto, gosta de dar a conhecer ao mundo toda a sua vasta coleção de boxers da Calvin Klein e do Hugo Boss (sim, eu dei-me ao trabalho de observar... mas só para contribuir para o enriquecimento desta publicação, nada mais! Curiosidade meramente científica). É um gajo cheio de SWAG. E quem também tem muito SWAG são aquelas professoras de Matemática que andam com uma bata laboratorial pela escola. Sim, porque dar aulas de Matemática e explicar o Binómio de Newton é uma tarefa extremamente perigosa e exige toda e mais alguma proteção. Não vá o Triângulo de Pascal explodir ou o Teorema de Pitágoras reagir com alguma substância... Faz todo o sentido uma professora de Matemática usar bata. Claro que faz. Assim nem sujam o vestidinho da Gucci, que compraram no fim de semana, com giz do quadro. Isso sim, seria uma tragédia. Que se lixem as explosões e as reações anódicas. Incrível... Até as professoras de Matemática da minha escola são possuidoras do SWAG

Mas... afinal o que é o SWAG? (Agora seria o momento ideal para aquela senhora do programa do Bom Português, da RTP1, iniciar a sua explicação sobre o assunto.)  Nem eu própria sei o que isso é. Eu, uma jovem de 17 anos. Sou a vergonha da minha geração. Mas, segundo consegui apurar, através das minhas fontes extremamente fidedignas, SWAG stands for "Secretly We Are Gay". O que me deixa bastante baralhada. Quer dizer que... todos os indivíduos que se afirmam possuidores do SWAG são gays? Então e o "estilo" e a "rebeldia", onde é que entram no meio de tudo isto? Que desilusão. Acabo de me aperceber que grande parte da minha geração tem gostos sexuais incompatíveis com os meus. Que aborrecimento. Como é que se procria nestas condições? (Vamos esquecer que eu disse isto, está bem?)

Contribuam para a taxa de natalidade do país. Deixem-se de SWAG. O que eu quero é VIDA LOKA (apenas as pessoas cuja vida social é inexistente entenderão).

domingo, 6 de janeiro de 2013

As típicas graçolas de Ano Novo

- Ui, Joana! Já não te lia desde o ano passado.
- Desde o ano passado que não saio de casa.
- Lembro-me do ano passado como se tivesse sido ontem.

Pronto, crianças. Já acabaram com as piadinhas típicas de Ano Novo? Já? Vá, agora deixem os adultos falar de assuntos sérios, sim? Agora, sim, dirijo-me a vocês - pessoas adultas que me lêem. As frases com que iniciei esta publicação foram, todas elas, frases que me foram dirigidas no primeiro dia deste ano: 2013. Serei eu a única pessoa revoltada com estas criaturas que insistem em repetir vezes e vezes sem conta (a cada 12 meses, para ser mais precisa) a mesma "piada"? Sejamos realistas: no primeiro ano tinha piada. No segundo ainda se aguentava razoavelmente bem. Mas a partir do terceiro já é abuso!

Sim, já todos percebemos que o ano acabou ontem e que, quando dizem que "ah, e tal, não fazem isto ou aquilo desde o ano passado" tem piada porque "o ano passado" foi, na realidade, o dia anterior. Ha ha ha. Tanta piada. Pronto, já rimos. Agora: podemos seguir em frente? Sim? Deixam? É que depois ainda há aí pessoal que fala de plágios e mais não sei quê. Eu só gostava de saber quem foi o primeiro banana que se lembrou de fazer esta piada. É que, se ele fosse minimamente inteligente, por esta altura já estaria rico, com tanta gente a copiar-lhe a graçola de fim de ano. É pena... é pena.

Mas ainda pior que isto é aquele pessoal que tenta imitar e imita mal. O que é verdadeiramente trágico, dada a dimensão humorística da coisa (sim, é sarcasmo). Ainda no mesmo dia - 1 de janeiro de 2013 - disseram-me algo que passo agora a citar:

- Ó Joana... aposto que já não tomas banho há um ano! Mas não te preocupes. Eu também não.

FAIL. Queridíssimos colegas: um ano equivale precisamente a 12 meses, que, consequentemente, equivalem a 365 dias. Continuam a achar que essa afirmação fez sentido? Então isso quer dizer que já não tomam banho há 365 dias (366, se estivermos num ano bissexto), não é? Grandes porcos! Bem que me estava a chegar aqui um cheiro assim um bocado estranho, mas eu não quis dizer nada, para não parecer mal.

Mas o pior é que este pessoal vive na convicção de que nos disse, ali, uma piada do caraças. E acham mesmo que fizeram sentido! Pois, é o que dá. Copiam e, ainda por cima, fazem-no mal. Acontece algo semelhante na escola. Há professores que decidem armar-se em espertos e fazem um teste com duas versões. Ora, o que é que acontece? Vai o rapazito copiar as escolhas múltiplas da miúda inteligente do lado esquerdo e as respostas são diferentes. Assim é que se apanham estes aldrabõezitos. Mas o pior é que não há duas versões para as piadolas de Ano Novo. Há é gente parva e que não pensa antes de abrir a boca, que é uma coisa completamente diferente.

Malta, ganhem juízo. Este ano vou deixar passar, mas se no ano que vem me deparar com estes engraçadinhos no meu Twitter, no meu Facebook, no YouTubena caixa de entrada do meu telemóvel, ou em qualquer outro sítio, fica prometido que vai haver sangue. Considerem-se avisados.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Desejos para 2013

2013 está aí à porta e é chegada a hora de começar a pensar nos meus 12 desejos para este novo ano. Não sei quem é que inventou esta parvoíce de comer doze passas e pedir um desejo por cada uma. Agora as passas concedem desejos, é? Ui, o que é que o gajo que inventou esta merda andava a tomar? Coisa boa não era de certeza. Aliás, tenho uma teoria (eu tenho sempre uma teoria...). Aposto que o indivíduo que inventou esta coisa foi o mesmo que inventou a luz do frigorífico. Já pensaram... Se o frigorífico tem luz, porque é que o congelador não tem também? Preconceito, é? Racismo? Descriminação? Vamos lutar pelos direitos dos congeladores! Se os frigoríficos têm direito a ter iluminação própria, os congeladores também merecem! Enfim. Isto tudo só para dizer que o tipo que pensou nisto foi o mesmo que se lembrou desta parvoíce das passas.

Mas então e vocês, queridos e afáveis leitores? Já pensaram nos vossos doze desejos? Não? Então ponderemos em conjunto. E não me venham com aquelas tretas do "ah, e tal, quero paz no mundo e criancinhas felizes". Isso são aqueles tretas que as Misses dizem, quando ganham uma daquelas fitinhas maricas, só para parecerem inteligentes e preocupadas com o futuro da humanidade. Não me venham cá com histórias. Vá, dou-vos um tempinho para pensarem. Entretanto, deixo aqui a lista dos meus, a ver se se inspiram:

1. Desejo aprender a distinguir uma courgette de um pepino;
2. Desejo que (ao menos este ano) haja um fim do mundo como deve ser;
3. Desejo que os meus pais se lembrem que "o importante é ter saúde", quando lhes mostrar os resultados dos testes;
4. Desejo que o Pedro Passos Coelho deixe de me chamar de "amiga", no Facebook;
5. Desejo que o Vítor Gaspar vá adormecer pessoas para outro lado e deixe as Finanças para quem realmente percebe disso;
6. Desejo descobrir o porquê de o frigorífico ter luz e o congelador não;
7. Desejo que o Pato Donald me explique o porquê de, depois do banho, sair com uma toalha enrolada à cintura, se ele não usa calças;
8. Desejo que deixem de me acordar a meio da noite para perguntar se estou acordada;
9. Desejo descobrir porque raios o super-homem usa as cuecas por fora das calças, se é tão inteligente como dizem;
10. Desejo que a Fada dos Dentes me devolva todo o dinheiro que me deve;
11. Desejo deixar de ser apelidada de "a estúpida lá de casa";
12. Desejo que o meu pai aprenda a baixar o raio da tampa da sanita.

Pronto: ei-los, os meus doze desejos para 2013. Agora sim, já tenho algo que fazer enquanto como passas, deito o conteúdo do meu copo de champanhe para dentro dos vasos de flores, beijo pessoas e desejo-lhes um bom ano (apesar de saber que este vai ser um ano de merda), e vejo o fogo-de-artifício. Ufa, que alívio. Se eu podia vir para aqui falar de conjunturas e austeridade e o caraças? Podia. Até porque sou uma pessoa extremamente entendida em política e economia e afins... Mas para quê vir para aqui dizer-vos que vamos ter um ano de merda se já toda a gente sabe que este vai ser um ano de merda? Tenho cara de papagaio? Ok, não respondam a esta última pergunta...

Resta-me desejar-vos um bom ano 2014 (já que 2013 não vai ser nada de jeito) e que "entrem com o pé direito" e "que seja um ano muito feliz" e... Enfim. Todas aquelas tretas que é costume dizer-se no fim do ano.

Joana Camacho e toda a sua tripulação desejam-lhe... UM BOM ANO NOVO! Sejam felizes, irmãos. Sejam felizes. Ou razoavelmente felizes, vá. Desde que eu não veja felicidade acima das possibilidades, está tudo bem. Se bem que é o Estado quem vive acima das nossas possibilidades... Mas isso agora não interessa nada, como diria a minha querida Teresa Guilherme. Ide em paz, e que o Senhor vos acompanhe. E sim, agora é aquela parte em que vocês dizem "Graças a Deus (posso ir-me embora)".

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Estamos todos vivos?

Calma, calma! Não se preocupem, eu estou bem. Por incrível que pareça: sobrevivi ao fim do mundo! Aliás... Não tenho bem a certeza se terei sobrevivido ou não. Às tantas o mundo acabou mesmo, só que recomeçou logo de seguida e nós nem demos por isso. Ah, esperem! Agora que falam nisso... Eu de facto senti uma comichão esquisita às 21h do dia 21 de dezembro. Às tantas foi aí que se deu a tal transição entre o fim e o recomeço do mundo. Mas bolas, se foi este o caso, o Criador foi um nadinha forreta, não? Podias ao menos ter-nos dado um tempinho para dormirmos uma sesta longe daqui ou algo do género... A malta começa a fartar-se de ter de aturar os camelos do Governo (como o meu pai os trata) e os seres seus semelhantes. Mas não! Tinhas de acabar o mundo e recomeçá-lo logo a seguir, de modo a que nem déssemos por isso, não é? Maroto, tu!

Às tantas até nem foi este o caso. Eu também tenho outra teoria, que é igualmente credível e cientificamente aprovada por laboratórios científicos (e, provavelmente, ilegais). A minha teoria é a seguinte: o mundo acabou mesmo e nós estamos, agora, num mundo diferente, só que extremamente parecido ao nosso! Há diferenças! São é... Difíceis de encontrar. Mas há! Pronto, é isso.

O que importa é que estamos cá todos (ou não estamos?) e caminhamos a largos passos para aquele que promete ser um ano de "inversão" da recessão económica, diz o nosso querido "amigo" do Facebook, Pedro Passos Coelho. Bom... Eu, que sou uma entendida na área da Economia e das Finanças, vou traduzir-vos as palavras deste nosso amigo por palavras mais simples: 2013 vai ser um ano de merda. Pronto. Não é assim tão difícil, pois não? Qual "estabilização" qual quê?! Deixem-se de tretas. Já que vocês (pessoas que - lamentavelmente - mandam neste país) não deixam "o povo" ter uma Educação decente (porque guardam os trocos nos vossos bolsos e não há cá dinheiro para livros, cadernos e material escolar), ao menos tenham a decência de usar linguagem que as pessoas entendam.

Como podem ver, podemos, até, estar num mundo diferente, mas continuamos na mesma merda de sempre. Lamento informar mas, ao que parece, até neste mundo existe um Vítor Gaspar, um Pedro Passos Coelho, um Cavaco Silva e um não-sei-das-quantas. Ai, como sabe tão bem tratar os bois pelo nome.

Fim do mundo? Fim do mundo foi o que passou pelo meu cabelo hoje de manhã! Ah, mais uma coisa: conhecem aquele filme 2012, que falava sobre o tal fim do mundo? Bem... Agora que o fim do mundo nem aconteceu, podemos pôr este filme na secção de "comédia"? AH, espera! Já percebi tudo! Afinal não era o fim do mundo... Era o fim do ano! Agora sim, faz sentido. Mas... E que tal pararem com as publicações que dizem "ah, e tal, sobrevivi ao fim do mundo"? Olha que giro! Sobreviveste tu e mais não sei quantos biliões de pessoas! Enfim, enfim... Cheguei à conclusão que as previsões dos "Maias" são tão certeiras como as da "Maya".

Conclusão: mais um fim do mundo e o mundo continua na mesma. Esperemos que o próximo fim do mundo seja melhor.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

É Natal, é Natal...

Hoje começaram as arrumações natalícias. Esta costumava ser uma época feliz para mim, mas tornou-se deprimente no dia em que arruinaram a minha infância e me disseram que o Pai Natal não existia (spoiler alert, crianças que lêem este Blog e não deviam). Sempre quis acreditar que um velho gordo de barbas descia pela minha chaminé, durante a madrugada do dia 25, e me deixava prendinhas, porque eu tinha sido uma menina bem comportada durante o ano. Não estão bem a ver a dimensão do problema... É que isto quer dizer que andei a comportar-me bem para nada! E a escrever cartas de 5 páginas e meia todos os anos (sim, este problema já não é de agora) para ninguém ler. A partir do momento em que me ensinaram a escrever, foi a loucura. No primeiro ano, lembro-me que escrevi uma página inteira ao Pai Natal. E eu era uma miúda extremamente simpática, na altura. Fazia sempre questão de perguntar se estava tudo bem com ele, com a Mãe Natal, com as renas e com os duendes. E ainda pedia comida para os meninos com fome e roupinha para as pessoas que estão a passar frio. Era ou não era uma criança adorável e fofinha? Era pois.

Agora o Natal já não tem a mesma piada. Tenho saudades dos tempos em que escrevia testamentos endereçados a uma qualquer residência mágica no Pólo Norte e em que deixava bolachas com pepitas de chocolate e leite com chocolate quentinho para o Pai Natal, na mesa da cozinha. O irónico é que a comida desaparecia sempre! Ou seja: alguém se andou a alimentar às minhas custas durante anos a fio. E a enganar uma pobre criança. Isso não se faz.

Mas, desilusões à parte, há uma coisa que me irrita profundamente nestas arrumações de Natal: encontrar bombons fora de prazo. A minha mãe tem a mania irritante de esconder bombons para "nós" (residentes desta casa) não comermos aquilo tudo. Até parece! Mas bem, ela esconde-os e depois esquece-se que eles existem. Aí é que está o problema. Hoje encontrei três caixas de Ferrero Rocher, uma caixa de Mon Cherri, outra de Merci, mais uma de bombons Toronto, e ainda uma de Ferrero Noir. Fora as que ainda estão por descobrir!

E depois queixam-se da crise e dos meninos a morrer à fome e mais não sei quê... Eu podia ter comido aqueles bombons! E DEVIA! Bolas, mãe. Não te perdoo. Ainda assim, comi uns quantos, apesar de já não estarem bons desde Março deste ano. Se eu morrer, já sabem qual foi o potencial causador da minha morte. Ao menos morro feliz.

Outra coisa que me irrita nestas arrumações natalícias, é o facto de termos de arrumar. Essa é a parte chata. De resto, não tenho nada contra as arrumações de Natal. Bom... É isso e o pó. Estou confiante de que o meu nariz também terá uma espécie de menopausa, um dia destes, em que deixará de produzir ranho. Se o fluxo menstrual pára numa determinada idade, então porque é que o mesmo não acontece com o ranho? Ó Criador! Estás a descriminar o meu nariz, é? O que é ele tem de mal, ãn?! Vá, acaba lá com esta coisa das alergias. A brincadeirinha já perdeu a piada há muito tempo, sim? Ou vou ter que ir aí acima ter uma "conversinha" contigo?! É bom que estejamos esclarecidos. Fico à espera de uma declaração de amizade por parte das minhas alergias. Ou então uma ranhocapausa antecipada. De preferência já para a semana que vem, pode ser?

Por hoje é tudo. Agora vou ouvir o Santa Claus is Coming to Town e chorar, agarrada à minha almofada cor-de-rosa, porque tenho saudades do velho gordo de barbas brancas que em tempos já existiu.


E sim: é o Michael Bublé. O que é que tem? É um gajo jeitoso. E canta bem. Pronto, é só. Adeus.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Professora, não fiz o trabalho de casa

Juro que foi só hoje. E ontem. E no dia anterior. E na semana antes também. Sim, caro leitor, é isso mesmo que está a pensar: não fiz o trabalho de casa... É pá, falhou! A minha vida não é só isto! O que acontece é que os professores (essas criaturas) pensam que nós não temos mais nada que fazer da vida e mandam-nos carradas de páginas para ler, exercícios para resolver e "fichas de trabalho muito interessantes" para nos entretermos, dizem eles. Criaturas: lá por vocês não terem vida e serem uns agarrados, não quer dizer que a nossa vida social não seja ativa. É! Tábom? Então parem lá com isso.

Só quero o bem dos meus leitores e, por essa mesma razão, hoje vou partilhar convosco boas desculpas que podem usar para quando não tiverem feito o trabalho de casa e o professor (ou professora) vos perguntar porque razão não o fizeram. Sou ou não sou uma gaja porreira? Vá, agora não podem dizer mal de mim.

- Ora bem, quem é que não fez o trabalho de casa? Ninguém? Vá, quem não fez o trabalho de casa põe o dedo no ar. Eu vou perguntar!

Começa sempre assim. E é neste momento que têm de pensar rápido. Não há tempo para pensar que há pegadas no teto, que a professora está vestida que nem uma galdéria, ou noutra coisa qualquer. Não! Têm de pensar imediatamente naquilo que pretendem fazer: levantar o braço e arranjar uma desculpa para não terem feito; copiar rápida e discretamente o trabalho de casa por alguém; ou aldrabar aquilo tudo e dizer que está feito. Eu, pessoalmente, opto por ir variando. Não gosto muito de coisas monótonas. Por exemplo: se como esparguete à bolonhesa à terça-feira, não vou comer novamente à quarta. Não faz sentido. À quarta como lasanha ou outra coisa qualquer. Esparguete à bolonhesa é que não. É preciso ir variando. E com os trabalhos de casa passa-se a mesma coisa. Ora digo que não fiz e dou uma desculpa, ora digo que fiz e copio, ora digo que fiz e aldrabo. De falta de criatividade não me podem acusar.

Então: caso tenham optado pela opção de dizer que não fizeram o trabalho de casa, aqui estão dez desculpas que eu - Joana Camacho - daria. Acho que são de qualidade e extremamente convincentes. Aposto que isto engana qualquer professor. Mesmo os que têm um grau razoável de inteligência.

1. Fui assaltada no caminho para a escola e levaram-me o trabalho de casa.
2. O trabalho de casa aborreceu-se com um dos discursos do Vítor Gaspar e entrou em estado de coma.
3. O meu cão quis marcar o trabalho de casa como território e fez chichi para cima dele.
4. O Passos Coelho mandou-o emigrar.
5. Cortaram-lhe o subsídio de Natal e ele suicidou-se.
6. O meu trabalho de casa apaixonou-se pelo relatório de Química e já não os vejo desde há uns dias. Desconfio que se tenham casado em segredo e que estejam agora a viver a Lua de Mel.
7. Apanhei-o a ver a Casa dos Segredos e ele nunca mais foi o mesmo. Está de momento internado num Hospital Psiquiátrico.
8. Quando ia a sair de casa, tropecei nas escadas e caí. O trabalho de casa aleijou-se e teve de ficar em casa a pôr gelo nas letras.
9. O segurança não o deixou entrar na escola, porque não trazia cartão nem identificação.
10. O meu pai não o deixou sair de casa porque diz que ele ainda é muito novo e não tem idade para estas coisas.

E então? Que tal? Vá, não me agradeçam, ora essa! Faço tudo pelos meus leitores. Agora podem deixar de fazer os trabalhos de casa. Com estes dez truques na manga, ninguém vos pára.

Caso tenham optado por dizem que o fizeram e copiaram rápida e discretamente o trabalho de casa por alguém, só tenho uma recomendação a fazer: não copiem daqueles broncos que não fazem a mais pequena ideia do que estão a fazer. Ao menos dignem-se a copiar de quem sabe! Já que decidiram copiar, ao menos copiem como deve ser. E outra coisa: o objetivo é o professor não ver. Só para relembrar. Se estão nas filas da frente ou numa área com muita visibilidade por parte do professor, têm de tomar precauções extra. Se sabem que não fizeram o trabalho de casa, pensem estrategicamente: sentem-se atrás dos badochas e têm o vosso problema resolvido. Caso haja alguma coisa que não consigam copiar, não se preocupem. Copiem o resto. Se o professor vos perguntar justamente a que não fizeram, digam o seguinte:

- Professora, esta não consegui fazer...

Resulta sempre. O que pode acontecer é mandarem-vos responder à seguinte. Portanto é bom que tenham alguma coisa feita, sim?

Terceira e última opção: aldrabaram aquilo tudo e disseram que estava feito. Ora então muito bem. É bom que tenham uma boa capacidade de improviso, porque é disso que vão precisar. Eu gosto desta opção porque é das que dá menos trabalho. O que têm de fazer é o seguinte: se vos mandarem responder, lêem a pergunta, vão a algum texto que tenha antes, relacionado com o exercício que estão a fazer, fazem uma leitura na diagonal, e começam a ler um parágrafo que pareça minimamente decente. O que vai acontecer é o seguinte:

- Não. Repara, <nome da pessoa em questão>, isso não responde à pergunta que estão a colocar. O que disseste está certo, mas tinhas de acrescentar mais qualquer coisa.
- Ah... Certo, professora. Eu de facto não tinha bem a certeza desta.

E pronto. O assunto morre ali. É ou não é perfeito? 

Vá, boa sorte com os TPC's e tenham juizinho. Eu posso fazer isto porque sou uma profissional experiente. Mas o meu método pode não funcionar à primeira vez com amadores. Mas tentem. Practice makes perfect. Boas aulinhas, para quem as tem!

domingo, 18 de novembro de 2012

A malta dos parques de estacionamento

Ora muito boa tarde. Antes de mais, peço desculpa pela minha ausência, mas assim teve de ser. Tiveram saudadinhas minhas? Vá, digam que sim, para eu ficar feliz.

Hoje vou falar sobre parques de estacionamento. E porquê? Porque é algo que me deixa a cabeça às voltas. Literalmente! Já tentaram estacionar o carro no parque de estacionamento do Pingo Doce numa sexta-feira à tarde? Pois, eu também não. Talvez porque não tenho carro. Mas o meu paisinho já tentou! E a minha querida irmã também. E digo-vos já que não é tarefa fácil. Acaba por ser semelhante àquela atração que encontramos na Feira Popular, sabem? Aquelas canecas que andam à roda durante uma infinidade de tempo. A diferença é que não é uma caneca - é um carro. E, em vez de terem de pagar um euro para andar, têm de pagar a gasolina, que está cara.

Eu já desenvolvi uma espécie de trauma a parques de estacionamento de Centros Comerciais e supermercados. Agora levo sempre um daqueles saquinhos de enjoo. É que as pessoas não se dão por satisfeitas quando dão apenas uma volta ao parque e constatam que não há lugares vagos. Não! Têm de dar três, quatro, cinco voltas... Só mesmo para terem a certeza que viram bem da primeira vez. E o meu pai é uma destas pessoas. Entramos no parque de estacionamento, damos a volta àquilo tudo, não há lugares vagos, saímos, voltamos a entrar, damos à volta àquilo tudo... Oh! Parece que há ali um! Não... Afinal não era... Saímos, voltamos a entrar... E assim sucessivamente! Não seria mais fácil sair da porcaria do parque de estacionamento e estacionar o carro noutro sítio qualquer? Mas não! Têm de estacionar o carro ali porque está mais perto e é assim que tem de ser. Ai a minha vida...

E depois ainda há mais. Ontem, fui com a minha mãe e com a minha irmã ao Pingo Doce. Aliás, fui ao parque de estacionamento do Pingo Doce, elas é que foram ao supermercado. Por acaso até tivemos sorte. Encontrámos lugar à primeira. Quer dizer... Teoricamente foi um outro senhor que encontrou esse lugar. Nós limitámo-nos a roubá-lo e a ouvir a carrada de palavrões que se seguiram. Verdade seja dita: uma pessoa que demora 5 minutos a enquadrar o carro de modo a poder estacioná-lo num lugar com tanto espaço, não merece aquele cantinho.

Mas bom, lá foram elas ao Pingo Doce. Eu optei por ficar no carro (supermercados nunca foram muito a minha onda - ainda para mais, tenho sempre medo de sair do Pingo Doce com um olho negro). Como é lógico, uma pessoa que fica no carro à espera, tem de arranjar algo com que se entreter, não é? E o que é que eu fiz? Bom, passei para o lugar do condutor, endireitei as costas e pus-me a mexer nos botõezinhos do carro, como se percebesse daquilo. Passados pouco mais de dois minutos o que é que acontece? Passa por mim um indivíduo num Seat verde que me pergunta:

- Olhe, desculpe, vai sair?

Mas que clássico. Uma pessoa não pode estar simplesmente sentada no banco do condutor sem que isso signifique necessariamente que vai sair?

- Sim, sim. Vou sair.

Teoricamente até vou sair. Mas não é ainda. Resolvi dar esperanças ao homem e, dois segundos depois, presenteei-o com isto:

- Ups, esqueça. Acabei de me lembrar que ainda não tirei carta.

E sim, esta é uma história verídica. Por momentos cheguei a temer pela minha saúde. Mas não. Não há nenhum brutamontes no estacionamento do Pingo Doce que agrida uma menor de idade. Que sorte a minha! Sorte foi algo que os dois condutores que se seguiram também não tiveram. Fizeram-me precisamente a mesma pergunta e levaram precisamente a mesma resposta.

- Ai, que mázinha que tu és, ó Joana.
- És tão parva...
- Andas a arruinar os sonhos dos outros condutores de estacionar os seus carros desde... que começaste a trollá-los.

Vá, tenham lá calminha! Sou só uma criança! Tenho de me divertir com alguma coisa, não é? (e sim, este comentários são verídicos e retirados da minha página do Facebook, onde fiz questão de relatar esta história)

Mas ainda há mais coisas a acontecer nos parques de estacionamento do Pingo Doce. A diversão não acaba aqui! Depois há aqueles homenzinhos que fazem questão de vir a todos os carros, onde detetam a presença de gente, pedir dinheiro. E são insistentes! Sabem bem como fazer o seu trabalho. Ontem andavam lá dois, com uma garrafa de cerveja Coral na mão (que bela maneira de incentivar as pessoas a darem-vos dinheiro, ó bananas), e ainda um miúdo, que andava lá a chagar as velhotas. Incrível como um miúdo com ar de delinquente pode fazer tanto furor entre as senhoras de terceira idade. Ainda estou para lhe pedir umas dicas. A mim também me davam jeito uns trocos para a gasolina.

E, para finalizar, há aqueles velhotes que nos vêm pedir indicações. É incrível como esta espécie tem tamanha dificuldade em localizar a porta de entrada e a saída. É só seguir as setinhas, minha gente! Estão lá para alguma coisa. Mas vá, não enxovalhemos a malta da terceira idade, que eles são simpáticos e dão-me sempre bombons no Halloween... E é só isto.

domingo, 4 de novembro de 2012

Mentir é feio - parem lá com isso

Olá meninos! Olá meninas!

Se reconheceu esta célebre entrada, então pode parar de mentir: já todos sabemos que é espetador atento da Casa dos Segredos. E o que é que se responde a esta frase de iniciação de conversa? Exato, isso mesmo! Muito bem! "Olá Teresaaaaa!" - esta é, de facto, a resposta correta. Gosto de leitores assim. Estão sempre a surpreender-me, vocês. Parece que há uns leitores lindos que andam a fazer os trabalhinhos de casa, não é verdade? Assim é que dá gosto ver! Palminhas para vocês.

Neste momento, deverá estar a perguntar-se o porquê de iniciar desta forma este meu "diálogo". E é muito simples. É porque hoje vou falar na Casa dos Segredos. Sim, isso mesmo. Leu bem: a Casa dos Segredos.

- Ui, esta gaja vê a Casa dos Segredos! Fogo... nunca pensei. Vou mas é embora, que ela não merece a minha atenção!

Alto e pára o baile! O caríssimo leitor não vai a lado nenhum. Não vai, que eu não deixo! Vai-me dizer que nunca viu a Casa dos Segredos, não? Mas pensa que está a enganar quem? Volte a sentar o seu respeitoso traseiro nessa cadeira, se faz o favor. E sem resmungar! Já está? Então pronto. Espero que tenha aprendido a lição. Ora, uma das coisas que mais me irrita são precisamente estas pessoas que fazem um escândalo quando alguém lhes diz que vê a Casa dos Segredos: "Ui, vê a Casa dos Segredos! Mas que mau gosto... Que coisa de baixo nível." - sim, sim. Eu até concordo convosco... Mas, neste caso, sinto-me obrigada a invocar uma frase bem conhecida do povo (sabem que detesto fazer isto, mas tem de ser), que é: "diz o roto ao nú". E porquê? Porque, ironicamente, estas mesmas pessoas sabem de cor e salteado o nome de todos os concorrentes da Casa. E são sempre os primeiros a saber das coisas que acontecem lá dentro.

- Ah, ouvi dizer que o Nuno deu alto murro no Wilson!

Ouviste dizer? Ouviste dizer o caralh...! É que nem se dão ao trabalho de arranjar uma desculpa minimamente credível.

- Ah, ouvi dizer...
- Disseram-me...
- Li em algum sítio que...

Admitam lá isso de uma vez, ó cobardolas. Bando de galinhas que vocês me saíram. Vá, façam-se homens! A minha mãe sempre me ensinou que mentir é feio, portanto parem lá com isso. Caso contrário, eu... Eu... Eu... Nem sei o que faço (provavelmente não faço nada).

- Ouve lá, quem és tu para nos chamar de cobardes?! Ainda não te vi a admitir nada!

Claro que não me viu, caro leitor. Isto é um Blog, não é o YouTube. Aqui só consegue ler. A não ser que possua poderes ocultos ou algo do género. O que me parece pouco provável. Mas bom, se é isso que quer, então é isso que vai ter: sim, eu vejo a Casa dos Segredos. O que é que tem? Gosto de me sentir inteligente de vez em quando. Vão-me mandar prender por causa disso? O facto de saber que existem pessoas mais burras que eu faz-me sentir bem. É que... eu posso ser muito burra, mas sei que um triângulo equilátero tem 3 lados e sei, também, que África fica abaixo de Portugal! Sim, porque há para lá gente que diz que África fica a Norte de Portugal e que um triângulo equilátero tem 6 lados. O meu conselho? Por favor batam violentamente com as cabeças contra uma parede de betão. Muitas vezes. Mas muitas mesmo.

Se por acaso não faz a mais pequena ideia do que se passa no interior da Casa, eu terei todo o gosto em atualizá-lo. Afinal de contas, este meu cantinho também serve para fazer um pouco de serviço público e tal. Ora vejamos: o Nuno e a Vanessa estão um para o outro como eu estou para uma bola de gelado. Ou seja: passam o dia a lamber-se e amam-se muito, segundo dizem. Eu também acho que sim. Fazem um casal engraçadito, vá. Se bem que um pouco menos de lamechice não lhes fazia mal nenhum.

Depois temos um outro casal: Jéssica e Cláudio. Este casal sofre de um tipo de disfunção qualquer, ainda não consegui descobrir qual é. A Jéssica acha que o Cláudio é "gigolô". E porquê? Porque dança bem, é um jeitoso e é "demasiado manso", segundo as palavras dela. Por outro lado, tenho uma teoria que diz que estes dois ingeriram uma imensa quantidade de marmelada quando eram putos. Porquê? Porque passam o dia na marmelada. Eu nunca gostei de marmelada (a sério, não gosto mesmo!) e, devo dizer, são imagens daquelas que sempre me fizeram ir ao gregório. Aliás, só de me lembrar, começo a ficar muito mal-disposta. Vou ali respirar ar puro e já volto.

Pronto. Já está. Já me recompus. Prossigamos.

E se, por um lado, a Jéssica sofre porque o Cláudio é "excessivamente manso", a Mara sofre pelo acontecimento oposto. Reclama que Fábio é um bruto e que não sabe como ser querido para com as raparigas. Eu até podia pôr-me para aqui a falar do sotaque horrível que a pobre rapariga tem (sim, é cá da Madeira e blá blá blá... mas eu não falo assim, tá?!), mas não - não me apetece. Já fiquei mal-disposta o suficiente com a marmelada de há pouco. Fiquemos por aqui.

Como eu ia a dizer: tudo indica que a Mara e o Fábio gostam um do outro, mas passam a vida a ter discussões que eu sou demasiado... inteligente... para entender. Já para não falar daquela vez em que o Fábio se chateou com a Mara porque lhe disseram que ela já tinha tido um relacionamento lésbico. Qualquer outro homem irradiaria felicidade ao ouvir semelhante coisa. Mas bom, adiante: é impossível falar na Mara e no Fábio sem se falar na Alexandra. A Alexandra é aquela gaja que já teve um relacionamento de dois anos com o Fábio, fora da Casa. E é também a gaja que o enchia de pancadaria. Só porque sim. Eu ao princípio ainda pensei que fosse só mais um daqueles casos estranhos de "sado-masoquismo", mas não. Parece que nem com a "palavra de segurança" ela parava de lhe "chegar a roupa ao pêlo", como diz a minha mãe. Conta a lenda que aquilo doía. A Alexandra diz que o Fábio ainda tem uma clara obsessão por ela e ainda a ama. Ele diz que não, e ainda acrescenta que ela é que o ama profundamente e não quer admitir. Ela chama-lhe nomes e diz que ele é um falso. Ele diz que ela é uma cabra e que, um dia, toda a gente vai perceber quem ela realmente é. Que conclusão é que se tira daqui? Os gajos têm problemas. Não: problemas a sério! Não é daqueles problemas que "ah, e tal, tem um problema". Não não. Eles têm mesmo problemas. Cenas.

Enfim. Não me apetece escrever mais sobre isto, portanto, se querem descobrir os restantes bananas que por lá andam, consultem o canal 10 da MEO, que é para isso que ele lá está. Já fiz serviço público que chegue. Já mereço um cantinho no céu, só à conta de todos estes parágrafos que gastei a falar da Casa dos Segredos. Bom... vendo isto pelo lado positivo: sinto-me extremamente inteligente. Já estou preparada para uma aula de Matemática amanhã de manhã! Espera... Afinal não, não estou. Retiro o que disse.

Pronto, era só isto. Deixem lá de enganar as pessoas e admitam de uma vez por todas que vêem a Casa dos Segredos, tá? Adeus.