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sexta-feira, 29 de março de 2013

Não nutro qualquer tipo de afeto pela minha prima

Deduzo que por esta altura já todos terão chegado à conclusão de que hoje vos vou falar sobre… a minha prima – essa infame criatura. Toda a minha família é um caso curioso, mas a minha prima ultrapassa de longe o limiar da curiosidade (e não o digo no sentido apreciativo da coisa). O irónico é que… eu nem tenho primas. Imagino que agora esteja razoavelmente baralhado. Adoraria poder reconfortá-lo e dizer-lhe que vou resolver o seu problema – mas a verdade é que não vou. Lamento.

Apesar de a minha árvore genealógica me dizer claramente que não tenho primos, a Mãe Natureza insiste em contrariar a genética e os dados científicos, e presenteou-me com uma tal de Prima Vera. Por norma, eu ficaria extremamente feliz por ter um novo membro na minha família, mas não é este o caso. É que esta tal de Vera que se afirma minha prima – em primeiro grau e tudo, diz ela – não é flor que se cheire (literalmente).

Em primeiro lugar, anda desaparecida durante nove meses, todos os anos. E depois só dá sinais de vida nos restantes três – sempre na mesma altura. No primeiro ano em que isto aconteceu, pensei que ela tivesse, finalmente, ganho algum juízo: talvez tivesse encontrado o homem perfeito e resolvesse ter um filho. Quem sabe tinha decidido passar aqueles nove meses de gestação num qualquer lugar longínquo e paradisíaco. Pareceu-me compreensível na altura. Se bem que não lhe fazia mal nenhum avisar os familiares. Afinal de contas… a Mãe Natureza criou-nos uma relação fictícia de consanguinidade para alguma coisa, não é? Haja o mínimo de respeitinho pela falsa consanguinidade que nos une, querida prima.

Seja como for, até lhe tinha comprado um babeiro engraçadíssimo, com a cara do Pateta e tudo. Era uma fofura. Mas não é que a Vera regressa passados os nove meses, sem homem perfeito, sem criança, e sem justificação alguma? E a coisa foi-se repetindo: estava connosco três meses, depois desaparecia nos restantes nove. A teoria da gravidez foi rapidamente excluída. Aliás, eu sempre soube que a minha prima Vera era uma galdéria, mas não a esse ponto.

E como se isto já não bastasse, de cada vez que nos presentava com a sua presença, trazia com ela gripes, constipações, alergias e rinite alérgica. Que raio de prima é que nos oferece muco como souvenir? Se eu estivesse fora durante nove meses, oferecia à família, na pior das hipóteses, uma daquelas camisolas que dizem: I love [inserir aqui o nome de uma cidade qualquer] e que se vendem a três euros no aeroporto. Ou meias, sei lá. Toda a gente precisa de meias. Agora de ranho é que não!

Todos estes fatores fazem da Primavera uma estação detestável. Com ela, vem o pólen das flores, o spray nasal e as despesas acumuladas em pacotes de lenços. Querida prima: por favor dá ouvidos à genética e não voltes… 

… a não ser que eu precise de um rim e tu sejas compatível.

terça-feira, 26 de março de 2013

Um Toblerone fez de mim Sportinguista

Acordei com uma ideia deslumbrante para aquele que seria o melhor texto de sempre… só que depois bati com o joelho esquerdo na esquina da minha mesa-de-cabeceira e contribuí para o aumento da taxa de emigração de ideias, em Portugal. Por essa mesma razão, decidi falar-vos de futebol, já que sou uma entendida no assunto (este é aquele momento em que se riem).

Sendo filha de um homem que jogou durante anos a fio no Nacional, é professor de Educação Física e é benfiquista (pelo menos tudo indica que é mesmo ele o meu pai), o futebol é tema de ordem cá por casa. Há determinadas premissas que nós – habitantes desta casa – temos de respeitar, de modo a garantir a saúde, o bem-estar e a ausência de avantajadas dores de cabeça por parte de todos os seres que coabitam debaixo deste mesmo teto. É, por exemplo, de conhecimento geral, que aos fins-de-semana o plasma da sala está reservado única e exclusivamente para fins futebolísticos: primeiro há a Liga ZON Sagres, depois joga a 2ª Liga, segue-se a Liga de Espanha, a Liga Inglesa, a Liga Italiana e, com sorte, ainda há espaço para a Liga Alemã e para a Francesa. E ai de quem se atreva a sequer estabelecer contacto visual com o comando, ousando, ainda que por breves instantes, ponderar a hipótese de mudar de canal. Quem quer ver televisão na sala, vê Sport TV e não reclama.

O que me confunde em toda esta situação é o seguinte: imaginemos que um dado homem é do Benfica. São capazes de me explicar o porquê de passar o fim-de-semana inteiro jogado no sofá, abraçado a uma mini e a um prato de amendoins sem casca (ou de tremoços, vá), a ver todo e mais algum jogo de futebol entre equipas que possuem nomes que, por vezes, são impossíveis de pronunciar? Se é do Benfica, via só os jogos do Benfica. Mas não. Vocês – homens – comem tudo o que vos aparece à frente! No sentido metafórico e futebolístico, claro. Não desprezando os amendoins e os tremoços – aí podem interpretar a frase no sentido literal da coisa.

Sou Sportinguista e apresento-me como tal, é certo. Tomei a decisão de me tornar adepta do Sporting aos quatro anos de idade. O meu pai queria que eu fosse do Benfica; já a minha mãe estava mais inclinada para o Sporting. Porque é que ganhou a minha mãe? Simples: porque o chocolate Toblerone que ela me ofereceu era bem maior do que aquele chupa-chupa de cinco cêntimos com que o meu pai me tentou subornar. Pai, se me estás a ler, espero que tenhas aprendido que com chupa-chupas de cinco cêntimos não vais lá.

Caras pessoas que me leem: caso, por alguma razão, tencionem subornar a autora deste texto, permitam-me que vos deixe uma sugestão… chocolates. Montes e montes deles.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

És um pão integral. #1

É chegada a hora de inaugurar aqui no Blog a minha primeira rubrica. Que é o quê, exatamente? Bom, basicamente, invento uma coisa qualquer e mando mensagens a... gente. Para a estreia desta rubrica, enviei uma mensagem a 38 pessoas, todas do sexo masculino - no entanto, apenas 15 responderam. Interpelei-os a todos com a seguinte mensagem: Oi [nome da pessoa]. Já te disse que és um pão? - e, posteriormente, acrescentei que o referido pão era daqueles bons, integrais, que fazem bem à saúde. Recomendado pelos especialistas! - ao que eles responderam:

António Raminhos:
De Mafra? Ou saloio? :D







Hélio Arcanjo:
Hmmm deixa cá ver... Acho que não disseste. :)
A menina é bem atrevida. :)






Paulo Fragoso:
Obrigada pela simpatia... ;)







César Mourão:
Ahahaha exacto... obrigado. Beijinhos.







Bruno Ferreira:
Ahaha! Obrigado. :)
Ena pá! Isso é uma refeição inteira de elogios! Ahaha.







João Chaves:
Ainda não disseste.






SakE:
Lol true. Sou uma baguete.









Nuno Markl:
Ah ah ah! Fico contente, eu tenho-me em conta de carcaça ou papo-seco. Beijos e obrigado!






Pedro Fernandes:
Lol beijinhos.









Carlos Moura:
?
A gente conhece-se?









João Manzarra:
Então nesse caso reajo com alegria!
Beijinho. :)






Luís Filipe Borges
Ahahahahah, mais pão de Mafra, parece-me. Beijinhos. ;)
Rui Pêgo
Hahahahahhahaha. Ok.







Pedro Granger
Ahahahhaahha.










 

E é isto. Só porque tenho imenso tempo livre e gosto de aborrecer as pessoas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A complexidade das revistas cor-de-rosa

É de conhecimento geral que, para qualquer mulher que se preze, é essencial ter uma panca por revistas cor-de-rosa. Pois bem, não é esse o meu caso e, segundo consta, apresento todas as caraterísticas típicas de uma Homo Sapiens do sexo feminino (só não sou uma mulher que se preze, é certo). Mas vamos lá ver uma coisa: porquê ‘revistas cor-de-rosa’? Porque não revistas azuis, verdes, violetas ou até mesmo com as cores da bandeira gay?

Toda a ciência por detrás das ditas revistas me intriga. Ainda hoje me dei ao trabalho de folhear uma e deparei-me – espante-se o caro leitor – com duas páginas a relatar o facto de o Ricky van Wolfswinkel (ponta de lança do Sporting) ter pisado dejetos de cão aquando da sua saída de um restaurante. Em que mundo é que há alguma alminha que demonstre qualquer tipo de interesse por este acontecimento? Se me informassem a mim que tinha pisado caca de cão, isso sim seria de alguma utilidade. Quero lá saber se esse indivíduo pisou dejetos de cão ou não. Querem que lhe diga o quê? Olha, Ricky van Wolfswinkel, para a próxima tem mais cuidado e olha por onde andas, que isto em Portugal é assim; encontras uma ‘surpresa’ dessas em cada esquina.

Outra notícia que me fascinou foi a que dizia que ‘as britânicas querem um nariz igual ao de Kate Middleton’. Ao longo de uma página explicava-se o porquê de o nariz da Kate ser ‘quase perfeito’, do ponto de vista de cirurgiões plásticos e psicólogos, afirmando que ‘o ângulo entre o lábio e a ponta do nariz e a quantidade mínima de narina em exposição são quase perfeitos’. Isto é algo que, de facto, me aflige. Não porque tenho um nariz que quase assume a forma de uma batata, ou porque tenciono fazer uma rinoplastia tendo em vista o nariz da Kate, mas sim porque, entre os dejetos no sapato do Wolfswinkel e o nariz perfeito da Kate, não sei ao certo qual deles é o pior.

Depois há, ainda, aquela parte que consta em toda e mais alguma revista cor-de-rosa: como seduzir um homem, à custa de dicas como ‘sê assim, assado e cozido’. As dicas são sempre as mesmas; no entanto há malta que compra a revista todas as semanas, na esperança de que comecem a chover homens perfeitos e apaixonados do céu, suponho. Gosto particularmente daquela que diz: ‘mexa no cabelo suavemente se gostar dele’ ou a do ‘faça-lhe olhinhos, que ele não resiste’. Tenham juízo. Se não perdessem tanto tempo a ler dicas sobre como seduzir homens, acredito solenemente que, por esta altura, tivessem algo mais do que um monte de revistas da Caras empilhadas na vossa mesa-de-cabeceira. Aproveitem a dica, que esta foi de borla.