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domingo, 30 de dezembro de 2012

Desejos para 2013

2013 está aí à porta e é chegada a hora de começar a pensar nos meus 12 desejos para este novo ano. Não sei quem é que inventou esta parvoíce de comer doze passas e pedir um desejo por cada uma. Agora as passas concedem desejos, é? Ui, o que é que o gajo que inventou esta merda andava a tomar? Coisa boa não era de certeza. Aliás, tenho uma teoria (eu tenho sempre uma teoria...). Aposto que o indivíduo que inventou esta coisa foi o mesmo que inventou a luz do frigorífico. Já pensaram... Se o frigorífico tem luz, porque é que o congelador não tem também? Preconceito, é? Racismo? Descriminação? Vamos lutar pelos direitos dos congeladores! Se os frigoríficos têm direito a ter iluminação própria, os congeladores também merecem! Enfim. Isto tudo só para dizer que o tipo que pensou nisto foi o mesmo que se lembrou desta parvoíce das passas.

Mas então e vocês, queridos e afáveis leitores? Já pensaram nos vossos doze desejos? Não? Então ponderemos em conjunto. E não me venham com aquelas tretas do "ah, e tal, quero paz no mundo e criancinhas felizes". Isso são aqueles tretas que as Misses dizem, quando ganham uma daquelas fitinhas maricas, só para parecerem inteligentes e preocupadas com o futuro da humanidade. Não me venham cá com histórias. Vá, dou-vos um tempinho para pensarem. Entretanto, deixo aqui a lista dos meus, a ver se se inspiram:

1. Desejo aprender a distinguir uma courgette de um pepino;
2. Desejo que (ao menos este ano) haja um fim do mundo como deve ser;
3. Desejo que os meus pais se lembrem que "o importante é ter saúde", quando lhes mostrar os resultados dos testes;
4. Desejo que o Pedro Passos Coelho deixe de me chamar de "amiga", no Facebook;
5. Desejo que o Vítor Gaspar vá adormecer pessoas para outro lado e deixe as Finanças para quem realmente percebe disso;
6. Desejo descobrir o porquê de o frigorífico ter luz e o congelador não;
7. Desejo que o Pato Donald me explique o porquê de, depois do banho, sair com uma toalha enrolada à cintura, se ele não usa calças;
8. Desejo que deixem de me acordar a meio da noite para perguntar se estou acordada;
9. Desejo descobrir porque raios o super-homem usa as cuecas por fora das calças, se é tão inteligente como dizem;
10. Desejo que a Fada dos Dentes me devolva todo o dinheiro que me deve;
11. Desejo deixar de ser apelidada de "a estúpida lá de casa";
12. Desejo que o meu pai aprenda a baixar o raio da tampa da sanita.

Pronto: ei-los, os meus doze desejos para 2013. Agora sim, já tenho algo que fazer enquanto como passas, deito o conteúdo do meu copo de champanhe para dentro dos vasos de flores, beijo pessoas e desejo-lhes um bom ano (apesar de saber que este vai ser um ano de merda), e vejo o fogo-de-artifício. Ufa, que alívio. Se eu podia vir para aqui falar de conjunturas e austeridade e o caraças? Podia. Até porque sou uma pessoa extremamente entendida em política e economia e afins... Mas para quê vir para aqui dizer-vos que vamos ter um ano de merda se já toda a gente sabe que este vai ser um ano de merda? Tenho cara de papagaio? Ok, não respondam a esta última pergunta...

Resta-me desejar-vos um bom ano 2014 (já que 2013 não vai ser nada de jeito) e que "entrem com o pé direito" e "que seja um ano muito feliz" e... Enfim. Todas aquelas tretas que é costume dizer-se no fim do ano.

Joana Camacho e toda a sua tripulação desejam-lhe... UM BOM ANO NOVO! Sejam felizes, irmãos. Sejam felizes. Ou razoavelmente felizes, vá. Desde que eu não veja felicidade acima das possibilidades, está tudo bem. Se bem que é o Estado quem vive acima das nossas possibilidades... Mas isso agora não interessa nada, como diria a minha querida Teresa Guilherme. Ide em paz, e que o Senhor vos acompanhe. E sim, agora é aquela parte em que vocês dizem "Graças a Deus (posso ir-me embora)".

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Estamos todos vivos?

Calma, calma! Não se preocupem, eu estou bem. Por incrível que pareça: sobrevivi ao fim do mundo! Aliás... Não tenho bem a certeza se terei sobrevivido ou não. Às tantas o mundo acabou mesmo, só que recomeçou logo de seguida e nós nem demos por isso. Ah, esperem! Agora que falam nisso... Eu de facto senti uma comichão esquisita às 21h do dia 21 de dezembro. Às tantas foi aí que se deu a tal transição entre o fim e o recomeço do mundo. Mas bolas, se foi este o caso, o Criador foi um nadinha forreta, não? Podias ao menos ter-nos dado um tempinho para dormirmos uma sesta longe daqui ou algo do género... A malta começa a fartar-se de ter de aturar os camelos do Governo (como o meu pai os trata) e os seres seus semelhantes. Mas não! Tinhas de acabar o mundo e recomeçá-lo logo a seguir, de modo a que nem déssemos por isso, não é? Maroto, tu!

Às tantas até nem foi este o caso. Eu também tenho outra teoria, que é igualmente credível e cientificamente aprovada por laboratórios científicos (e, provavelmente, ilegais). A minha teoria é a seguinte: o mundo acabou mesmo e nós estamos, agora, num mundo diferente, só que extremamente parecido ao nosso! Há diferenças! São é... Difíceis de encontrar. Mas há! Pronto, é isso.

O que importa é que estamos cá todos (ou não estamos?) e caminhamos a largos passos para aquele que promete ser um ano de "inversão" da recessão económica, diz o nosso querido "amigo" do Facebook, Pedro Passos Coelho. Bom... Eu, que sou uma entendida na área da Economia e das Finanças, vou traduzir-vos as palavras deste nosso amigo por palavras mais simples: 2013 vai ser um ano de merda. Pronto. Não é assim tão difícil, pois não? Qual "estabilização" qual quê?! Deixem-se de tretas. Já que vocês (pessoas que - lamentavelmente - mandam neste país) não deixam "o povo" ter uma Educação decente (porque guardam os trocos nos vossos bolsos e não há cá dinheiro para livros, cadernos e material escolar), ao menos tenham a decência de usar linguagem que as pessoas entendam.

Como podem ver, podemos, até, estar num mundo diferente, mas continuamos na mesma merda de sempre. Lamento informar mas, ao que parece, até neste mundo existe um Vítor Gaspar, um Pedro Passos Coelho, um Cavaco Silva e um não-sei-das-quantas. Ai, como sabe tão bem tratar os bois pelo nome.

Fim do mundo? Fim do mundo foi o que passou pelo meu cabelo hoje de manhã! Ah, mais uma coisa: conhecem aquele filme 2012, que falava sobre o tal fim do mundo? Bem... Agora que o fim do mundo nem aconteceu, podemos pôr este filme na secção de "comédia"? AH, espera! Já percebi tudo! Afinal não era o fim do mundo... Era o fim do ano! Agora sim, faz sentido. Mas... E que tal pararem com as publicações que dizem "ah, e tal, sobrevivi ao fim do mundo"? Olha que giro! Sobreviveste tu e mais não sei quantos biliões de pessoas! Enfim, enfim... Cheguei à conclusão que as previsões dos "Maias" são tão certeiras como as da "Maya".

Conclusão: mais um fim do mundo e o mundo continua na mesma. Esperemos que o próximo fim do mundo seja melhor.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

É Natal, é Natal...

Hoje começaram as arrumações natalícias. Esta costumava ser uma época feliz para mim, mas tornou-se deprimente no dia em que arruinaram a minha infância e me disseram que o Pai Natal não existia (spoiler alert, crianças que lêem este Blog e não deviam). Sempre quis acreditar que um velho gordo de barbas descia pela minha chaminé, durante a madrugada do dia 25, e me deixava prendinhas, porque eu tinha sido uma menina bem comportada durante o ano. Não estão bem a ver a dimensão do problema... É que isto quer dizer que andei a comportar-me bem para nada! E a escrever cartas de 5 páginas e meia todos os anos (sim, este problema já não é de agora) para ninguém ler. A partir do momento em que me ensinaram a escrever, foi a loucura. No primeiro ano, lembro-me que escrevi uma página inteira ao Pai Natal. E eu era uma miúda extremamente simpática, na altura. Fazia sempre questão de perguntar se estava tudo bem com ele, com a Mãe Natal, com as renas e com os duendes. E ainda pedia comida para os meninos com fome e roupinha para as pessoas que estão a passar frio. Era ou não era uma criança adorável e fofinha? Era pois.

Agora o Natal já não tem a mesma piada. Tenho saudades dos tempos em que escrevia testamentos endereçados a uma qualquer residência mágica no Pólo Norte e em que deixava bolachas com pepitas de chocolate e leite com chocolate quentinho para o Pai Natal, na mesa da cozinha. O irónico é que a comida desaparecia sempre! Ou seja: alguém se andou a alimentar às minhas custas durante anos a fio. E a enganar uma pobre criança. Isso não se faz.

Mas, desilusões à parte, há uma coisa que me irrita profundamente nestas arrumações de Natal: encontrar bombons fora de prazo. A minha mãe tem a mania irritante de esconder bombons para "nós" (residentes desta casa) não comermos aquilo tudo. Até parece! Mas bem, ela esconde-os e depois esquece-se que eles existem. Aí é que está o problema. Hoje encontrei três caixas de Ferrero Rocher, uma caixa de Mon Cherri, outra de Merci, mais uma de bombons Toronto, e ainda uma de Ferrero Noir. Fora as que ainda estão por descobrir!

E depois queixam-se da crise e dos meninos a morrer à fome e mais não sei quê... Eu podia ter comido aqueles bombons! E DEVIA! Bolas, mãe. Não te perdoo. Ainda assim, comi uns quantos, apesar de já não estarem bons desde Março deste ano. Se eu morrer, já sabem qual foi o potencial causador da minha morte. Ao menos morro feliz.

Outra coisa que me irrita nestas arrumações natalícias, é o facto de termos de arrumar. Essa é a parte chata. De resto, não tenho nada contra as arrumações de Natal. Bom... É isso e o pó. Estou confiante de que o meu nariz também terá uma espécie de menopausa, um dia destes, em que deixará de produzir ranho. Se o fluxo menstrual pára numa determinada idade, então porque é que o mesmo não acontece com o ranho? Ó Criador! Estás a descriminar o meu nariz, é? O que é ele tem de mal, ãn?! Vá, acaba lá com esta coisa das alergias. A brincadeirinha já perdeu a piada há muito tempo, sim? Ou vou ter que ir aí acima ter uma "conversinha" contigo?! É bom que estejamos esclarecidos. Fico à espera de uma declaração de amizade por parte das minhas alergias. Ou então uma ranhocapausa antecipada. De preferência já para a semana que vem, pode ser?

Por hoje é tudo. Agora vou ouvir o Santa Claus is Coming to Town e chorar, agarrada à minha almofada cor-de-rosa, porque tenho saudades do velho gordo de barbas brancas que em tempos já existiu.


E sim: é o Michael Bublé. O que é que tem? É um gajo jeitoso. E canta bem. Pronto, é só. Adeus.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Professora, não fiz o trabalho de casa

Juro que foi só hoje. E ontem. E no dia anterior. E na semana antes também. Sim, caro leitor, é isso mesmo que está a pensar: não fiz o trabalho de casa... É pá, falhou! A minha vida não é só isto! O que acontece é que os professores (essas criaturas) pensam que nós não temos mais nada que fazer da vida e mandam-nos carradas de páginas para ler, exercícios para resolver e "fichas de trabalho muito interessantes" para nos entretermos, dizem eles. Criaturas: lá por vocês não terem vida e serem uns agarrados, não quer dizer que a nossa vida social não seja ativa. É! Tábom? Então parem lá com isso.

Só quero o bem dos meus leitores e, por essa mesma razão, hoje vou partilhar convosco boas desculpas que podem usar para quando não tiverem feito o trabalho de casa e o professor (ou professora) vos perguntar porque razão não o fizeram. Sou ou não sou uma gaja porreira? Vá, agora não podem dizer mal de mim.

- Ora bem, quem é que não fez o trabalho de casa? Ninguém? Vá, quem não fez o trabalho de casa põe o dedo no ar. Eu vou perguntar!

Começa sempre assim. E é neste momento que têm de pensar rápido. Não há tempo para pensar que há pegadas no teto, que a professora está vestida que nem uma galdéria, ou noutra coisa qualquer. Não! Têm de pensar imediatamente naquilo que pretendem fazer: levantar o braço e arranjar uma desculpa para não terem feito; copiar rápida e discretamente o trabalho de casa por alguém; ou aldrabar aquilo tudo e dizer que está feito. Eu, pessoalmente, opto por ir variando. Não gosto muito de coisas monótonas. Por exemplo: se como esparguete à bolonhesa à terça-feira, não vou comer novamente à quarta. Não faz sentido. À quarta como lasanha ou outra coisa qualquer. Esparguete à bolonhesa é que não. É preciso ir variando. E com os trabalhos de casa passa-se a mesma coisa. Ora digo que não fiz e dou uma desculpa, ora digo que fiz e copio, ora digo que fiz e aldrabo. De falta de criatividade não me podem acusar.

Então: caso tenham optado pela opção de dizer que não fizeram o trabalho de casa, aqui estão dez desculpas que eu - Joana Camacho - daria. Acho que são de qualidade e extremamente convincentes. Aposto que isto engana qualquer professor. Mesmo os que têm um grau razoável de inteligência.

1. Fui assaltada no caminho para a escola e levaram-me o trabalho de casa.
2. O trabalho de casa aborreceu-se com um dos discursos do Vítor Gaspar e entrou em estado de coma.
3. O meu cão quis marcar o trabalho de casa como território e fez chichi para cima dele.
4. O Passos Coelho mandou-o emigrar.
5. Cortaram-lhe o subsídio de Natal e ele suicidou-se.
6. O meu trabalho de casa apaixonou-se pelo relatório de Química e já não os vejo desde há uns dias. Desconfio que se tenham casado em segredo e que estejam agora a viver a Lua de Mel.
7. Apanhei-o a ver a Casa dos Segredos e ele nunca mais foi o mesmo. Está de momento internado num Hospital Psiquiátrico.
8. Quando ia a sair de casa, tropecei nas escadas e caí. O trabalho de casa aleijou-se e teve de ficar em casa a pôr gelo nas letras.
9. O segurança não o deixou entrar na escola, porque não trazia cartão nem identificação.
10. O meu pai não o deixou sair de casa porque diz que ele ainda é muito novo e não tem idade para estas coisas.

E então? Que tal? Vá, não me agradeçam, ora essa! Faço tudo pelos meus leitores. Agora podem deixar de fazer os trabalhos de casa. Com estes dez truques na manga, ninguém vos pára.

Caso tenham optado por dizem que o fizeram e copiaram rápida e discretamente o trabalho de casa por alguém, só tenho uma recomendação a fazer: não copiem daqueles broncos que não fazem a mais pequena ideia do que estão a fazer. Ao menos dignem-se a copiar de quem sabe! Já que decidiram copiar, ao menos copiem como deve ser. E outra coisa: o objetivo é o professor não ver. Só para relembrar. Se estão nas filas da frente ou numa área com muita visibilidade por parte do professor, têm de tomar precauções extra. Se sabem que não fizeram o trabalho de casa, pensem estrategicamente: sentem-se atrás dos badochas e têm o vosso problema resolvido. Caso haja alguma coisa que não consigam copiar, não se preocupem. Copiem o resto. Se o professor vos perguntar justamente a que não fizeram, digam o seguinte:

- Professora, esta não consegui fazer...

Resulta sempre. O que pode acontecer é mandarem-vos responder à seguinte. Portanto é bom que tenham alguma coisa feita, sim?

Terceira e última opção: aldrabaram aquilo tudo e disseram que estava feito. Ora então muito bem. É bom que tenham uma boa capacidade de improviso, porque é disso que vão precisar. Eu gosto desta opção porque é das que dá menos trabalho. O que têm de fazer é o seguinte: se vos mandarem responder, lêem a pergunta, vão a algum texto que tenha antes, relacionado com o exercício que estão a fazer, fazem uma leitura na diagonal, e começam a ler um parágrafo que pareça minimamente decente. O que vai acontecer é o seguinte:

- Não. Repara, <nome da pessoa em questão>, isso não responde à pergunta que estão a colocar. O que disseste está certo, mas tinhas de acrescentar mais qualquer coisa.
- Ah... Certo, professora. Eu de facto não tinha bem a certeza desta.

E pronto. O assunto morre ali. É ou não é perfeito? 

Vá, boa sorte com os TPC's e tenham juizinho. Eu posso fazer isto porque sou uma profissional experiente. Mas o meu método pode não funcionar à primeira vez com amadores. Mas tentem. Practice makes perfect. Boas aulinhas, para quem as tem!