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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Que andas a fazer? Bela merda.

Frustrante! Hoje estou assim: frustrada. E porquê? Porque descobri que os meus pais são paranóicos, vivem na Idade da Pedra e não têm sentido de humor absolutamente nenhum. Quer dizer, isso já eu sabia há muito tempo, é verdade. Mas agora já não tenho dúvida alguma. Onde é que já se viu?! Acredita que levei com um sermão de meia hora (literalmente!) à conta de uma t-shirt? Não está a perceber? Pois, eu também não.

Ora, na minha última publicação, falei-lhe na minha "paixão" ultra-secreta pelo 5 para a meia-noite, certo? Bom, acontece que, há uns tempos atrás, vim a descobrir que estavam à venda umas t-shirts buéda rebeldes com frases bem típicas de alguns sketchs muito conhecidos. Para que compreenda aquilo que vou dizer a seguir, terá que despender de exatamente 3 minutos da sua vida a dar umas boas gargalhadas a ver, possivelmente, uma das coisas mais estúpidas e cómicas de sempre. Veja lá isto:


Ora essa, caro leitor! Não precisa de me agradecer pelos magníficos minutos de vida que acabei de lhe proporcionar. Diga lá que não achou piada, ãn?! Mas bom, o que acontece é que eu queria encomendar uma camisola que dizia "Olha, o que andas a fazer? Bela merda, isso que estás a fazer. Não gosto nada disso." E estava tudo a correr muito bem... Até que a minha mãe apareceu e deu cabo dos planos!

- Joana Catarina! O quê?! Vais encomendar uma camisola que diz "bela merda" nas costas?! Achas que isso é bonito, achas?! Tu estás tonta?!

Boa. Adoro perguntas retóricas - dão sempre menos trabalho a responder.

- Sim, mãe, estou tonta. Como se a palavra "merda" fosse uma coisa de outro mundo... Qual é que é o problema?
- Joana! Tu não vais encomendar essa merda!

Olha olha. Mas que moral que a minha mãezinha tem para falar. Não quer que ande com "palavras feias" na camisola mas, no entanto, anda-me a tratar mal! E depois perguntam-se de onde é que vêm estas ideias. Com maus exemplos assim, não havia volta a dar.

- Vou sim! Achas mesmo que alguém se importa que eu (esta tonta, como tu me chamaste) ande com uma camisola que diz "merda"? Mas olha, se quiseres ponho asteriscos, também há essa opção. E assim fica só "m****".
- NÃO! Cancela-me já essa porcaria! Não vais encomendar t-shirt nenhuma! Sim, como se os asteriscos servissem de alguma coisa. Até parece que as pessoas não iam saber que palavra era essa!
- E não sabiam mesmo. Podia ser "manga", sei lá.
- Vê se queres apanhar! Desliga-me já esse computador! E nem te atrevas a encomendar seja o que for! Senão...!

Ui, lá vamos nós outra vez. Eu sou ameaçada dentro da minha própria casa! Onde é que anda a justiça no meio de tudo isto? Enfim. Que remédio. Mas calma! Eu não me rendi... Já que não quiseram fazer o pagamento por cartão de crédito... Eu encomendei as t-shirts que queria à cobrança! Assim ninguém me chateia.

- Ui, que corajosa que ela é!

Não, não. Enganam-se. Nem me atrevi a comprar a t-shirt com a dita "palavra feia". Encomendei outras ligeiramente mais "decentes", vá. Só que aconteceu algo que ninguém (nem mesmo eu!) estava à espera. Eu - que estúpida que sou - decidi contar a uma criatura (sim, tu, ó Alexandra) esta situação. Observe a conversa que se segue:

- É pá, os meus cotas fizeram alta cena por causa de uma t-shirt que eu queria tipo bués!
- A sério? Eina pá, mas que cena marada! E qual era?
- Aquela daquele puto da street, o Nilton... Do "o que andas a fazer?"
- Ah... Ya. Buéda marado, men.

Ok, se calhar nós não falamos BEM assim. Ainda não chegámos a esse nível. Mas a ideia está lá! E agora adivinhem... Lembram-se daquele acontecimento buéda marcante do dia 5 de outubro? Ai, que mania! Não, não estou a falar da Independência da República. Isso é para meninos. Estou a falar do meu aniversário, como está claro! Bom, acontece que esta criatura alexandrina me decidiu oferecer a dita camisola. Mas quem é que não achou lá muita piada? O meu pai. Isto porque a minha mãe ainda não a viu!

- Tu vais levar isso para a escola?!
- Ya, qual é o problema?
- Qual é o problema?! QUAL É O PROBLEMA?! Joana! Vês alguém a usar camisolas assim na escola? As pessoas até te vão gozar! Vai haver um dia que nem vais querer ir à escola, por causa das "bocas" que vais levar dos teus colegas.

Eu não costumo dizer (ou escrever) isto, mas... LOL! Olha para mim cheia de medo das "bocas" dos colegas. As "bocas" estão para a Joana Camacho como as ovelhas cor-de-rosa estão para o Bin Laden.

- Pai, se fosse para gozarem comigo, dado que conhecem o meu Blogue, já tinham razões mais que suficientes. Não vai ser por causa de uma t-shirt que vou virar palhaço.
- Joana! As coisas não são bem assim! Tu achas que tens sentido humor, mas a maior parte das pessoas não acha piada a essas tuas coisas!

Eu? Com sentido de humor? Em que mundo? No dia em que eu achar isso, o Barack Obama vira branco. As palavras "sentido de humor" e "Joana Camacho" não se conjugam na mesma frase.

- Olha, está bem pai. Então deixa-me viver com o meu suposto sentido de humor e, no dia em que eu tiver vergonha de ir à escola por causa de uma t-shirt, eu chamo-te.
- Não é só isso, Joana! Podem, até, haver professores que não te vão deixar entrar na sala com isso vestido!

O quê?! A sério? QUE FIXE! Fogo, podias ter dito mais cedo. Se soubesse já tinha comprado esta camisola há mais tempo! Chiça. Quem diria que usar esta camisola me daria tais privilégios... Não me ser permitida a entrada na sala de aula? Oh... Olha que chatice que isso é!

- Ok, pai. Tens razão. Eu sou estúpida. Isto foi um erro.

Pronto, eis a minha solução para finalmente ter 5 minutos de paz. Dar razão a quem não a tem. Agora vou ali à sala partir uma jarra e dar um berro e volto já. (...) Ah! Bem melhor, agora. Humanidade que teve pachorra de ler isto até ao fim, digam-me: vão fazer-me alvo de chacota para o resto da minha vida, graças a esta camisola? Se a resposta é SIM, navegue com o cursor até ao canto superior direito do seu ecrã, e clique no botão vermelho com um "X". Se a resposta é NÃO, puxe uma cadeira e sente-se.

Só uma pergunta: o que andas a fazer? A ler isto? Oh... Bela merda. Não gosto nada!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ranho. Ranho everywhere!

Atchim!

Oh! Ora viva, caro leitor. Tem um lenço que me possa emprestar? Aliás... dar. Tenho a certeza que não o vai querer de volta. Não? Que aborrecimento. Bem, parece que vou ter de me contentar com a manga da minha camisola, não é? Vamos lá regressar aos primórdios. Assim seja... 

Ah! Bem melhor agora.

Bom, peço desculpa se não me estiver a ouvir muito bem, mas estou terrivelmente constipada e com a garganta num estado lastimável. E sabe qual é a razão? Bom, eu tenho várias teorias. Lembra-se de lhe ter falado no meu Centro de Saúde e na minha vacina anual da Gripe? Bom... Há fortes probabilidades de ainda não ter lá ido. Esse pode ser um dos problemas. Mas julgo que não! Tenho uma teoria bem mais realista e que acho ser a correta! Eu acho que a causa desta minha enfermidade é aquele documentário que vi no fim-de-semana, que falava nos principais "casos" que chegavam aos hospitais portugueses, nesta altura do ano. Aquela carrada de velhotes a espirrar e a fungar... e a encher as câmaras de germes e bactérias, nunca me enganaram! Estive demasiado tempo a ser submetida àquela horrível tele-transmissão viral. E agora olhe o meu estado...!

Atchim!

Acho bem que alguém tenha dito "santinha!" desse lado, senão vamos ter sérios problemas. Dou-me por feliz com um "saúde!". Se bem que "santinha" é uma versão um bocadinho mais realista das coisas, mas vocês é que sabem, claro. Eu não estou aqui para condicionar as opções de ninguém.

Passemos à frente. Onde é que eu ia? Oh, sim: os malandros dos velhos. Aposto que é por causa deles que estou, agora, neste estado. Malditos sejam! Mas calma... Ainda tenho mais teorias. Quem sabe, os velhos ainda são ilibados... Bom, outra teoria que tenho são: os mosquitos. Muito se tem falado daqueles mosquitos com o nome buéda estranho, cá da Madeira, o qual não irei referir pois, tal como o Lord Voldemort, o nome dele não deve ser pronunciado (ok, eu admito: a verdade é que não faço a mais pequena ideia do nome). Sim, esses sac... amorzinhos também são suspeitos. Os sintomas até apontam para tal: febre alta, dores musculares... Só que há um probleminha. Dizem que a dita doença que os bichos provocam dura, pelo menos, cinco dias. E, pela minha contagem, só passou um, e eu já evidencio claras melhorias, apesar de ainda estar com febre e constipada e o caraças. Se bem que os mosquitos podem ter-me provocado uma espécie de perda de memória e, às tantas, já se passaram mais de cinco dias e eu não sei! Hum... Safados, os bichos.

Mas, seja como for, temos aqui vários arguidos. O meu Centro de Saúde... O raio dos velhos do documentário... Os mosquitos... Ah! E ainda há mais! Ora, não sei se o caro leitor sabe, ou não. Mas a verdade é que sou uma grande fã de um talk-show português que se intitula de 5 para a meia-noite, e que passa tudo menos às 23:55h, diga-se de passagem, na RTP1 (não, não me pagaram para fazer publicidade). E o que é que acontece? Bom, o gajo das sextas-feiras - vulgarmente denominado de Nilton - andou por aí no Facebook, na rádio e na televisão com uma gripe terrível, durante toda a semana. Ou seja: posso ter identificado a minha fonte de contágio. Nilton, ó meu grande estúpido... Se eu te apanho...!

inspira... expira... inspira... expira...

Pronto, já estou mais calma. Mas não há dúvidas! Ele é, também, um possível arguido! Bem, eu ainda tenho mais teorias, mas acho que estas serão as principais. No meio de tudo isto, o que é que interessa saber que apanhei chuva durante o fim-de-semana, quando fui passear aos Prazeres? Ou que andei em calções e t-shirt depois de escurecer, quando já estava frio? Ora, como diria Teresa Guilherme: isso agora não interessa nada! Há que manter-se fiel aos factos. Há coisas que são de relevância e há outras que não são. Estas, claramente, não têm o mínimo interesse.

Vamos lá atualizar a nossa lista de possíveis culpados:
  1. Centro de Saúde da Joana
  2. Velhos ranhosos do documentário da TVI
  3. Mosquitos com o nome esquisito
  4. O estúpido do Nilton
Ufa! Permitam-me que faça aqui uma breve associação Matemática (ando a estudar demasiado... dá nisto!). Qualquer um dos acontecimentos me parece equiprovável. Daí que podemos aplicar aqui a Lei de Laplace. Ora... Eh... Certo... Bem... É melhor ficarmos por aqui, não vá o meu professor de Matemática, por triste casualidade, ler isto, e depois é uma chatice. Mas sim, há igual probabilidade de qualquer um dos arguidos ser, efetivamente, o culpado. Mas eu tenho a técnica perfeita para tirar esta história a limpo! Ora... observem e aprendam. Silêncio, por favor. Preciso de máxima concentração.

Um, do, li, tá, cara de amêndoá, um segredo colorido, quem está livre... Livre está!

SIM! O Tribunal chegou a um consenso. Já temos uma decisão unânime por parte das autoridades - o culpado foi identificado e trata-se de... Sujeito nulo subentendido! O sujeito recusa-se a prestar mais declarações e vai-se embora, tendo ainda a ousadia de se virar para trás e cantar o típico hino de gozo "nha, nha nha nha, nha!". O sujeito nulo subentendido conseguiu levar a dele avante. I SHALL GET MY REVENGE!

NOTA: Reparou na forma subtil como consegui incluir matéria de Matemática e Português nesta minha crónica? Agora diga lá que este Blogue não é extremamente educativo, ãn?

E assim se dá por encerrado este caso com...

Atchim!

... Raios, desculpem! Como eu ia a dizer, dou por encerrado este caso. A próxima vez que o vir será, possivelmente, na Fox Life, num dos episódios daquela série... Cold Case, sabe? Aqueles cromos que pegam em casos que já foram arquivados e tentam averiguá-los de novo, a ver se descobrem o mau da fita. Sim, esses mesmos! Bom, vou deixar este trabalho (de extrema importância) para eles, então. E agora, vou ali ao Pingo Doce reabastecer a minha reserva de lenços. Digam o que disserem... As mangas das camisolas não são a mesma coisa!


E entre ranho e lenços de papel, Joana partiu numa perigosa aventura pelos corredores do supermercado onde para ganhar uma lata de atum... Tem que se perder uma perna primeiro... Um bem haja, caro leitor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A culpa é do meu Centro de Saúde

Bom dia, meninos e meninas.

Hoje estou sem pachorra para escrever. Coisa rara, eu sei. Penso que isto deve ser um aviso qualquer do meu Centro de Saúde. Ainda no outro dia me ligaram a dizer que "ah, e tal, tem de vir levar a sua vacina anual da Gripe, dado fazer parte dos grupos de risco" - o caraças com os grupos de risco! Sempre me ensinaram que não me devo envolver em grupos. Podem ser más influências e levar-me para os caminhos da droga e das "bubadeiras" precoces (sim, eu sei que está mal escrito - foi propositado!). Vão meter essa agulha num sítio que eu cá sei, pá! Ei, ei! Atenção! Há gente séria a ler isto. O "sítio que eu cá sei" é, naturalmente, no sistema circulatório de outro estúpido qualquer que não eu. Seus mal intencionados. Aposto que pensaram outra coisa qualquer. Ai, esta juventude...

Adiante. Como eu estava a dizer, aposto que isto do "não ter pachorra para escrever" é o meu Centro de Saúde a vingar-se de eu ter desligado o telefone na cara da mulher antipática que me telefonou com o propósito de me espetar com cenas no braço. Pronto, pronto! Já percebi, ok? Eu vou aí para a semana... Agora podem deixar-me escrever em paz. Rua daqui!

Ok, isto foi estúpido. Ignorem.

Espera lá... Se fossem a ignorar todas as coisas estúpidas que por cá encontram, nem podiam pôr os pés neste maravilhoso Blogue (como tanto gosto de lhe chamar!). Ok, então esqueçam lá isto.

Agora passemos a assuntos sérios. Hoje não vou falar em nada em específico. Até o Centro de Saúde deixar de controlar as mentes das pessoas, vou limitar-me a escrever coisas sem assunto específico. Bem, vamos a isto, então! Ora, este meu Blogue tem ganho um número apreciável de leitores, nos últimos tempos. Pelo menos assim dizem as estatísticas. Bem, eu não sei o que raios é que se passa com vocês, mas... O que é que vos passou pela cabeça para decidirem ler esta... cena? Ok, a verdade é que prometi que não ia escrever a palavra "merda" nesta publicação. Raios! I see what you did there... Vá, ignorem lá isso, foi só para explicar a situação, não conta!

Como eu ia a dizer, este Blogue tem ganho uma quantidade apreciável de leitores, nos últimos tempos. Não me perguntem porquê, eu própria não sei. Penso que deve estar relacionado com as novas medidas de austeridade e com o acréscimo dos números de desempregados em Portugal. As pessoas simplesmente não encontram nada de jeito para fazer, por isso contentam-se com esta... coisa! Aliás, vou desenvolver este assunto numa outra "crónica que não é bem crónica", por isso vamos deixar este assunto por aqui, ok?

Muita gente - que me conhece e que descobriu há pouco tempo o meu Blogue - me tem perguntado se "esta sou mesmo eu a escrever" e "porque é que uso tantos palavrões aqui, se na "vida real" falo tão "politicamente bem"". Permitam-me que esclareça a vossa dúvida. Sim, esta sou mesmo eu - Joana Camacho. Juro que sou! Quanto aos "palavrões"... As únicas palavras feias que me podem ver a usar aqui são "merda", "cabrões", e... ah! Sou capaz de invocar o nome de políticos, de quando em vez. Peço imensa desculpa por isso. Por invocar o nome de políticos, claro! Pelo resto não.

Depois, também me têm chegado comentários do género "ah, e tal, porque é que não falas sempre assim, como escreves?". Ó estúpido, se eu fosse a falar assim na minha vida diária, julgavam-me ainda mais anormal do que aquilo que já sou. O meu grau de estupidez já está num patamar elevado o suficiente. Portanto... obrigada, mas não, obrigada. Se já leram a minha apresentação, aqui à direita, sabem que eu sou pessoa de poucas palavras - oralmente falando. E muita gente me pergunta porquê.

- Ah, e tal, tens tanto à vontade a escrever, constróis frases gramaticalmente e estruturalmente fantásticas e dizes tanta coisa com buéda piada... Mas, no que toca a falar, baralhas-te toda, gaguejas, e já para não falar que quase nem abres a boca!

Caros amigos (sinto-me uma versão foleira de Pedro Passos Coelho a falar no Facebook), quantas vezes vos tenho de dizer que sou uma BOA OUVINTE por alguma razão? Enfim, cá está mais um tema para "crónicas que não são bem crónicas" futuras. Agora fico-me por aqui e vou tomar qualquer coisinha, não vá esta patologia do "não me apetece escrever" agravar-se.

- Mas então...? Não tens pachorra de escrever e fazes uma publicação que quase não tinha fim?!

Caro leitor, ide bugiar e deixai-me em paz. Beijinhos às crianças.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cuidado com o que come

Boa noite. Vá, vamos lá despachar esta coisa, que a minha vida não é só isto. E tenho trabalhos de casa para fazer! Oh, que se lixe. De qualquer forma não ia fazê-los, estou a tentar enganar quem? Bom, ainda está aí? Então puxe uma cadeira e sente-se. Há espaço para mais um.

Hoje estou particularmente voltada para os lados da comida. Aliás, estou todos os dias - sou uma javarda assumida. Se há coisa que gosto, é de comida. Mas comida da boa! Nada que envolva coisas verdes e asquerosas, por favor. Mas bem, antes de entrar propriamente no campo da comida, gostaria de começar por deixar aqui uma pergunta. Será que de todas as vezes em que frequento um café ISTO tem de acontecer?

- Ora muito bom dia! Olhe, queria um café, fachavôr.
- Queria? Ah. Então já não quer, não é?

Olhe, e que tal se fosse ver se está a chover, caro amigo? É que não há um único dia em que eu não tenha de levar com estes "chico-espertos" com a mania que sabem muito! Para quando o dia em que se deixam destas merdas, ó criaturas? Vá... vocês conseguem arranjar "piadas" melhores. A humanidade acredita em vocês. E, por favor, não voltem a repetir essa porcaria, sim? Obrigada.

Adiante, agora que eu e os gajos dos cafés estamos entendidos, retomemos a nossa agradável conversa. Ora, onde é que eu ia? Oh, sim! Na comida. Bem, não sei se o caro leitor é frequentador assíduo de restaurantes mas, mesmo que não seja, com certeza já ouviu falar em "pratos do dia" e "especialidades da casa", não é verdade? Pronto. É aqui que a história começa. Mas que porcaria é essa?! Um prato do dia?! Uma especialidade da casa?!

Vou ser muito sincera; de cada vez que vejo aqueles quadros pretos gatafunhados com as palavras: "especialidade da casa - arroz de marisco", a primeira coisa que penso é que aquele restaurante tem um cozinheiro de merda. E porquê, pergunta o caro leitor. Ora, diga-me lá uma coisa: um cozinheiro não tem de - supostamente - saber cozinhar tudo o que aparece no menu do estabelecimento? Então porque é que há uma coisa que ele sabe fazer melhor do que as outras? Isso quer dizer que todos os outros pratos - para além do dito arroz de marisco -, devem ser uma bela porcaria, passo a expressão. Ele está, basicamente, a avisar-nos de que não se responsabiliza se decidirmos escolher outra coisa. O arroz de marisco ele sabe fazer. O resto, já não garante.

- Não leu ali na entrada?! A especialidade aqui é arroz de marisco! Quem é que lhe mandou pedir batatas salteadas? Pois claro que estão cruas! Nós aqui não somos dados a batatas. Aqui é mais... arroz de marisco, já devia saber! Nós avisámos!

Aposto que é isto que dizem aos clientes quando alguém reclama das batatas estarem cruas. Bem, pelo sim, pelo não, desconfiem sempre dos restaurantes que têm uma placa, à porta, a falar em especialidades da casa. Se escolhem outra coisa qualquer, são bem capazes de estar tramados - eu rezo por vocês.

E passando agora aos "pratos do dia"... Como não poderia deixar de ser, eu - Joana Camacho -, tenho uma teoria. Porque carga de água é que há de haver um determinado prato que é mais barato num dado dia?! Pensem comigo. Imaginem que estão lá, na cozinha, e que há ali esparguete que passou de prazo há dois dias, e carne moída que caiu no chão acidentalmente. O que é que fariam? Deitavam a comida para o lixo? Ora, claro que não! Estamos em tempos de crise, hoje em dia não se desperdiça nada. E então, de que é que se lembrariam?

- Ah, já sei! Vamos pegar neste esparguete fora de prazo e nesta carne moída, e fazemos um prato do dia, a um preço do caraças! É só uma questão de tirarmos os cabelos e as porcarias que ficaram na carne, e ninguém dá por nada, é limpinho! E quanto ao esparguete, é só rasparmos o bolor e está como novo.

Sim, lamento traumatizar gerações, mas esta é a dura realidade. Quando virem por aí "pratos do dia", desconfiem sempre. Podem pensar que estão a comer um bifinho de vaca à maneira mas, na realidade, aquilo que têm no prato é ratazana cozida, salteada com cebola grelhada. É só um aviso. Depois não venham cá com conversas de "ah, e tal, nem avisas, ó parva!" - não, não. Que fique registado: eu avisei! Agora cada um sabe de si.

Bem, a conversa vai animada, mas está na minha hora. Vou ali comer qualquer coisinha, que toda esta conversa sobre pratos do dia deu-me fome.

Divirta-se na sua próxima ida ao restaurante! Beijinhos e abraços.